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STF reconhece omissão do Congresso sobre imposto de grandes fortunas, mas evita impor prazo
STF reconhece omissão do Congresso sobre imposto de grandes fortunas, mas evita impor prazo
Corte pressiona Legislativo, mas decisão sem efeito prático é vista como gesto político para agradar à esquerda e ampliar arrecadação estatal
Por: Redação
06/11/2025 às 17:38

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta quinta-feira (6), que o Congresso Nacional foi omisso ao não regulamentar o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), previsto na Constituição desde 1988. Por 7 votos a 1, os ministros reconheceram a falta de ação do Legislativo, mas não estabeleceram um prazo para que a lei seja criada — o que torna a decisão sem efeito prático imediato.
O julgamento ocorreu no âmbito da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) 55, apresentada pelo Psol, e foi “desengavetado” pelo presidente da Corte, Edson Fachin. O partido alegou que, passadas mais de três décadas, o Congresso ainda não aprovou uma lei complementar que regulamente o tributo — bandeira histórica da esquerda, que defende o imposto como forma de “justiça social”.
Votaram pelo reconhecimento da omissão os ministros Marco Aurélio Mello (relator original), Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Flávio Dino e Nunes Marques. O único a divergir foi Luiz Fux, que defendeu a autonomia do Legislativo e criticou a tentativa de o Judiciário interferir em matéria tributária.
Segundo Fux, “é temerário que partidos políticos usem o Supremo para pautar a agenda do Congresso”. O ministro alertou que caberia à União e não ao STF determinar o momento e a forma de criação de novos impostos.
O voto de Flávio Dino foi o mais incisivo entre os favoráveis. Ele classificou o sistema tributário brasileiro como “fortemente regressivo” e afirmou que “a regressividade é uma situação inconstitucional”, propondo um prazo de 24 meses para aprovação do IGF — proposta rejeitada pela maioria.
Apesar da retórica de “correção histórica”, a decisão do Supremo não obriga o Congresso a agir, apenas reconhece a omissão. Na prática, os parlamentares podem adiar a discussão indefinidamente, o que esvazia o impacto da medida.
Nos bastidores, a decisão é vista como um gesto político do STF para agradar o campo progressista e reacender o debate sobre aumento de impostos, tema caro ao governo Lula. Críticos avaliam que a medida pode assustar investidores e elevar a percepção de risco, num momento em que o país busca retomar o crescimento econômico.
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