O subprocurador-geral da República André de Carvalho Ramos, escolhido pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, para atuar no caso envolvendo o Banco Master, também integra o corpo docente de uma disciplina de pós-graduação da Universidade de São Paulo (USP) ao lado do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ramos e Moraes lecionam a disciplina “Direito Digital: Novos desafios da Democracia, Constituição, Direitos e Desenvolvimento”, oferecida pelo programa de pós-graduação em Direito da USP. O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) André Ramos Tavares também participa do curso. Segundo a universidade, a disciplina aborda os impactos das novas tecnologias sobre o Direito, incluindo temas como desinformação, manipulação algorítmica e liberdade eleitoral.
Ramos passa a integrar equipe da PGR no caso
A escolha de André de Carvalho Ramos ocorreu em meio ao avanço das investigações sobre as relações de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, com autoridades.
O subprocurador deverá atuar ao lado de Paulo Gonet e do vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand. O relatório da Polícia Federal citado no processo reúne mensagens de Vorcaro nas quais são mencionados Moraes, Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Em uma das conversas registradas pela investigação, Vorcaro pediu a Moraes que procurasse “Andrei e Paulo”. Segundo a PF, o empresário buscava evitar uma medida que poderia atingir o Banco Master.
Mensagens também citam contatos com Gonet
O material analisado pela Polícia Federal registra ainda contatos entre Vorcaro e Gonet intermediados pelo advogado Ciro Soares.
Em março de 2025, Soares enviou ao empresário uma fotografia ao lado do procurador-geral e informou que Gonet queria conversar com ele. Posteriormente, mensagens atribuídas ao procurador-geral também foram encaminhadas a Vorcaro.
Os documentos mencionam ainda a participação de Pedro Gonet, filho do procurador-geral, em um fórum jurídico que seria promovido por Vorcaro em Londres. Uma funcionária do empresário chegou a consultar quem poderia ter as despesas de viagem custeadas pelo grupo, e Vorcaro autorizou o pagamento para Ciro Soares e Pedro Gonet. O evento, porém, não chegou a ser realizado.
Relação entre Vorcaro e Moraes também aparece na investigação
O relatório da PF registra diversas tentativas de contato de Vorcaro com Alexandre de Moraes durante o período em que o empresário buscava tratar de questões relacionadas ao Banco Master e às investigações que posteriormente resultaram em sua prisão.
A apuração também identificou contratos entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, pertencente à advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
Segundo o relatório, metadados de arquivos encontrados no celular de Vorcaro indicaram alterações feitas por Moraes em versões de uma minuta contratual. O escritório afirmou que seu setor de compliance consultou o ministro sobre eventual impedimento legal e que a banca prestou os serviços jurídicos.