Toffoli dá 10 dias para Câmara explicar tramitação da PEC da Imunidade
Mandado de segurança de Kim Kataguiri questiona voto secreto e ampliação de foro privilegiado para líderes partidários
Por: Redação
18/09/2025 às 21:56

Foto: Caroline Antones/AgênciaBrasil
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli concedeu prazo de dez dias para que a Câmara dos Deputados apresente informações sobre a tramitação da PEC 3/21, que restringe investigações e prisões de parlamentares. A medida atende a um mandado de segurança apresentado pelo deputado Kim Kataguiri (União-SP), que pede a suspensão da proposta.
Na última terça-feira (16), a Câmara aprovou a chamada PEC da Imunidade em dois turnos. Para Kataguiri, o texto contém quatro pontos que violam a Constituição Federal.
Entre eles está a ampliação do foro por prerrogativa de função aos presidentes de partidos políticos com representação no Congresso, o que, segundo os advogados do parlamentar, concede “a uma entidade privada o poder de definir quem será julgado pelo STF”.
Outro ponto contestado é a exigência de autorização do Supremo para qualquer medida cautelar contra deputados e senadores, o que, na avaliação do parlamentar, estende indevidamente o foro privilegiado a processos de improbidade administrativa.
Kataguiri também criticou a retomada do voto secreto na análise de prisões e processos contra parlamentares. O dispositivo havia sido retirado do texto durante a votação dos destaques, mas foi reintegrado por manobra regimental conduzida pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), com apoio do relator Claudio Cajado (PP-BA). A emenda foi aprovada por 314 votos a favor e 168 contra.
O último ponto questionado é a chamada “quebra de interstício”, que permitiu a votação em dois turnos no mesmo dia. Para o deputado, essa prática inviabiliza um debate mais amplo da sociedade sobre o tema.
Após a manifestação da Câmara, Toffoli deve analisar o pedido e decidir se suspende ou não a tramitação da PEC.
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