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PF apura apartamento, voos e repasses ligados a Jaques Wagner no caso Banco Master

PF apura apartamento, voos e repasses ligados a Jaques Wagner no caso Banco Master

Investigação analisa benefícios atribuídos ao senador e pagamentos feitos a empresa da nora do líder do governo no Senado

Por: Redação

18/06/2026 às 12:26

Imagem de PF apura apartamento, voos e repasses ligados a Jaques Wagner no caso Banco Master

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A Polícia Federal investiga a relação entre o Banco Master e pessoas próximas ao senador Jaques Wagner no âmbito da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18).

Além da suspeita de atuação em pautas de interesse da instituição financeira no Congresso Nacional, os investigadores analisam uma série de benefícios que teriam sido concedidos ao parlamentar ao longo dos últimos anos.

Entre os pontos apurados estão o uso de aeronaves ligadas ao grupo do empresário Daniel Vorcaro, ingressos para eventos e a transferência de um apartamento em Salvador avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões.

Segundo a investigação, há suspeitas de que o imóvel tenha sido repassado por Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, com a participação de pessoas ligadas ao grupo investigado.

 

Mensagens deram origem às suspeitas

As suspeitas surgiram após a análise do conteúdo extraído do celular de Augusto Lima, considerado um dos principais alvos da operação.

De acordo com a Polícia Federal, o empresário atuava como interlocutor do grupo junto a integrantes do meio político, especialmente no Congresso Nacional.

Os investigadores também apuram se Jaques Wagner teria atuado em propostas consideradas estratégicas para o Banco Master. Entre elas estão medidas relacionadas à ampliação do crédito consignado e a proposta que ficou conhecida como "Emenda Master", apresentada pelo senador Ciro Nogueira.

A emenda previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para aplicações em CDBs, principal instrumento utilizado pelo banco para captar recursos.

 

Empresa da nora recebeu R$ 11 milhões

Outra frente da investigação envolve pagamentos realizados pelo Banco Master à BK Financeira, empresa pertencente a Bonnie de Bonilha, nora de Jaques Wagner.

Casada com Eduardo Sodré, secretário de Meio Ambiente da Bahia e enteado do senador, ela teria recebido cerca de R$ 11 milhões da instituição financeira desde 2021.

Segundo as informações apresentadas na investigação, a empresa foi contratada para atuar na prospecção de operações de crédito consignado.

 

Relação remonta ao período em que Wagner governava a Bahia

A Polícia Federal também analisa negócios realizados durante a gestão de Jaques Wagner no governo da Bahia.

Entre os episódios investigados está a privatização da antiga rede Cesta do Povo, operação que posteriormente deu origem ao CredCesta, modalidade de crédito consignado que se tornou um dos principais produtos vinculados ao Banco Master.

Em manifestações anteriores, Jaques Wagner negou participação em negociações ou intermediações envolvendo empresas ligadas a familiares e afirmou não ter cometido qualquer irregularidade.

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