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Toffoli tenta se distanciar do Caso Master 1 mês após deixar relatoria

Toffoli tenta se distanciar do Caso Master 1 mês após deixar relatoria

Ministro do STF deixa análise de ações relacionadas ao caso após pressão e avanço das apurações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro

Por: Redação

12/03/2026 às 08:15

Imagem de Toffoli tenta se distanciar do Caso Master 1 mês após deixar relatoria

Foto: ASCOM/STF

Quase um mês após deixar a relatoria da investigação envolvendo o Banco Master, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli deu novos passos para se afastar do caso. Na quarta-feira (11), o magistrado declarou suspeição para analisar duas situações relacionadas à instituição financeira, decisão que também valerá para processos futuros ligados ao banco.

Durante a tarde, Toffoli se declarou impedido de atuar como relator de um mandado de segurança que pede a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados para investigar a relação entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Após a manifestação de suspeição, o processo foi redistribuído e passou a ser relatado pelo ministro Cristiano Zanin.

Horas depois, no início da noite, o magistrado também se declarou suspeito para participar do julgamento que vai analisar o referendo da prisão do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A detenção foi determinada pelo ministro André Mendonça.

O caso será analisado pela Segunda Turma do STF em plenário virtual a partir de sexta-feira (13), com votação prevista até o dia 20 de março. Como integrante do colegiado, Toffoli poderia participar da análise, mas optou por se afastar.

A movimentação ocorre em meio ao aumento da pressão em torno do chamado “Caso Master”, que ganhou novos desdobramentos nas últimas semanas. Em 12 de fevereiro, Toffoli já havia deixado oficialmente a relatoria da investigação após a crise se intensificar dentro da Corte.

O episódio atingiu seu ponto mais sensível quando o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregou pessoalmente ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, um relatório da perícia feita no celular de Vorcaro. O documento mencionaria o então relator do processo.

Antes de deixar o caso, uma das últimas decisões de Toffoli foi determinar que a Polícia Federal encaminhasse ao STF dados de todos os celulares apreendidos e periciados na investigação.

Quando assumiu a relatoria, o ministro André Mendonça adotou uma linha diferente de condução das apurações. Ele ampliou o acesso da Polícia Federal às provas coletadas, retomou o fluxo regular de perícias e depoimentos e reduziu o nível de sigilo imposto anteriormente no processo.

Na prática, a decisão reverteu determinações do antigo relator, que havia transferido para a Procuradoria-Geral da República (PGR) a guarda do material obtido durante a investigação.

Com as novas diligências autorizadas, a investigação passou a explorar não apenas possíveis crimes financeiros ligados ao Banco Master, mas também a suspeita da existência de uma estrutura organizada para monitorar e intimidar adversários empresariais, autoridades públicas, ex-funcionários e jornalistas.

Segundo a Polícia Federal, o banqueiro Daniel Vorcaro teria mantido uma espécie de “milícia privada” para executar essas ações.

O caso também ganhou repercussão após a descoberta de registros de comunicação envolvendo o nome do ministro Alexandre de Moraes. A Polícia Federal já tinha conhecimento de um contrato entre o Banco Master e o Lex Instituto de Estudos Jurídicos, empresa ligada à advogada Viviane Barci, esposa do ministro.

Além disso, investigadores analisam uma suposta conversa registrada no celular de Vorcaro, datada de 17 de novembro — mesmo dia da primeira prisão do empresário — em que ele pergunta se alguém teria conseguido “bloquear” algo. A mensagem recebeu resposta imediata, mas o conteúdo não pôde ser identificado, pois foi enviado em formato de visualização única.

Sem detalhar o teor das conversas, Alexandre de Moraes afirmou que não foi o destinatário das mensagens que mencionariam uma tentativa de salvar o Banco Master.

As investigações continuam em andamento no Supremo Tribunal Federal, enquanto novas decisões judiciais e diligências da Polícia Federal podem ampliar ainda mais o alcance do caso.

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