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Toffoli viaja em jatinho com advogado do caso Master e decisão posterior intensifica questionamentos sobre imparcialidade

Toffoli viaja em jatinho com advogado do caso Master e decisão posterior intensifica questionamentos sobre imparcialidade

Ministro diz não ver impedimento, mas deslocamento com defensor de investigado antecedeu imposição de sigilo e reforça críticas ao STF em meio ao maior escândalo financeiro recente

Por: Redação

08/12/2025 às 10:05

Imagem de Toffoli viaja em jatinho com advogado do caso Master e decisão posterior intensifica questionamentos sobre imparcialidade

Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

O ministro Dias Toffoli, relator da investigação sobre as fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, viajou em um jatinho particular ao lado de um dos advogados ligados ao caso — fato que reacendeu dúvidas sobre a postura do Supremo Tribunal Federal diante de episódios sensíveis que exigem máxima transparência. A viagem, revelada por O Globo, ocorreu em 28 de novembro, quando Toffoli embarcou rumo a Lima, no Peru, para assistir à final da Taça Libertadores entre Palmeiras e Flamengo. O retorno se deu dois dias depois.

O avião pertence ao empresário Luiz Osvaldo Pastore. Entre os passageiros estava o advogado Augusto Arruda Botelho, defensor de Luiz Antonio Bull, diretor de compliance do Banco Master e investigado pela Polícia Federal. Além deles, também viajaram o ex-ministro Aldo Rebelo, o filho de Botelho e outros 11 acompanhantes.

Dois dias após voltar a Brasília, Toffoli determinou um severo regime de sigilo sobre a investigação — medida que, embora prevista em lei, gerou desconforto por coincidir com a recente convivência do ministro com um dos advogados ligados aos investigados.

A interlocutores, Toffoli afirmou que é amigo antigo de Pastore, que não mantém proximidade com Botelho e que o assunto no voo teria sido exclusivamente futebol, não havendo qualquer debate sobre o caso Master. O ministro também sinalizou que não pretende se declarar impedido de seguir como relator, apesar da repercussão negativa.

Segundo relatos, o pedido de Daniel Vorcaro — presidente do Banco Master e principal alvo da investigação — ainda não havia chegado formalmente ao gabinete de Toffoli na data da viagem. Vorcaro e Bull foram soltos pelo TRF-1 e hoje utilizam tornozeleiras eletrônicas.

O caso ganhou novos contornos após Toffoli decidir que a supervisão das apurações deve caber ao STF, e não à primeira instância, devido à citação do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) em documentos apreendidos. O parlamentar, que possui foro especial, afirma que participou de um fundo imobiliário ligado à construção de um condomínio, mas que a negociação com Vorcaro não avançou.

A sucessão de eventos — viagem, posterior sigilo e retirada do caso das instâncias inferiores — fortalece o debate sobre a necessidade de maior previsibilidade e rigor ético no trato de processos sensíveis, especialmente quando envolvem o sistema financeiro nacional e autoridades públicas. Para críticos, episódios como este ampliam o desgaste institucional e reforçam o argumento de que o Judiciário precisa ser mais vigilante sobre potenciais conflitos de interesse.

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