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USP assume coordenação de acordo com BNDES liderado por Lewandowski fora do Ministério da Justiça

USP assume coordenação de acordo com BNDES liderado por Lewandowski fora do Ministério da Justiça

Parceria prevê estudos para reduzir disputas judiciais no setor público e levanta debate sobre influência acadêmica em políticas de Estado

Por: Redação

10/01/2026 às 10:57

Imagem de USP assume coordenação de acordo com BNDES liderado por Lewandowski fora do Ministério da Justiça

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O Centro Observatório das Instituições, ligado à Universidade de São Paulo (USP), assumiu a coordenação de um novo acordo com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), sob a liderança do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski. O pacto foi firmado fora da estrutura formal do Ministério da Justiça e tem como objetivo estudar mecanismos para diminuir disputas judiciais envolvendo o setor público.

A iniciativa foi confirmada pelo presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, que afirmou que a parceria pretende propor uma “modernização da gestão do Estado”. Segundo ele, o acordo prevê a realização de estudos técnicos, formação acadêmica, seminários e a análise de experiências internacionais, com foco em reduzir a chamada insegurança jurídica que, na avaliação do banco, afeta investimentos e o crescimento econômico.

Lewandowski, que deixou recentemente o comando do Ministério da Justiça alegando razões pessoais e familiares, passa a liderar o acordo a partir de uma posição externa ao governo, mantendo influência direta em uma agenda sensível relacionada à atuação do Judiciário e à administração pública. A movimentação ocorre em meio a críticas sobre a crescente judicialização de políticas públicas e o papel de ex-integrantes do Supremo Tribunal Federal em estruturas paralelas ao Executivo.

A coordenação pela USP, universidade financiada majoritariamente com recursos públicos, também reacende o debate sobre a proximidade entre academia, bancos estatais e formulação de políticas governamentais. Para críticos, acordos desse tipo podem ampliar a concentração de poder decisório em círculos restritos, sem o devido controle político ou legislativo.

Defensores da parceria, por outro lado, argumentam que o envolvimento de instituições acadêmicas pode contribuir para diagnósticos técnicos mais qualificados e soluções institucionais de longo prazo, especialmente em um ambiente marcado por litígios frequentes entre o Estado e a iniciativa privada.

O acordo ainda não teve detalhes operacionais divulgados, como custos, prazos ou critérios de governança, e deve ser acompanhado de perto por órgãos de controle e pelo Congresso Nacional.

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