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VAZIO: Cúpula do BRICS no Rio é marcada por ausências e impasses geopolíticos
VAZIO: Cúpula do BRICS no Rio é marcada por ausências e impasses geopolíticos
Sem Xi Jinping e Vladimir Putin, encontro sofre esvaziamento e expõe fragilidade do bloco em meio a crises globais
Por: Redação
07/07/2025 às 09:52

Foto: Ricardo Stuckert/PR
A Cúpula do BRICS 2025, realizada nos dias 6 e 7 de julho no Rio de Janeiro, ocorre sob o peso das ausências, das divisões internas e de um cenário internacional em profunda instabilidade. A reunião, que marca a presidência brasileira do bloco e deveria consolidar o BRICS ampliado como alternativa à ordem geopolítica ocidental, tem sido ofuscada pela falta de seus principais líderes e pela incapacidade de falar com uma só voz diante dos grandes conflitos globais.
Os presidentes Xi Jinping (China) e Vladimir Putin (Rússia) não compareceram. Putin, que enfrenta um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional, enviou o chanceler Serguei Lavrov. Xi alegou problemas de agenda e foi representado pelo premiê Li Qiang. A ausência física dos dois líderes mais influentes compromete o simbolismo e o peso político da cúpula.
Outras lideranças importantes também recuaram. O presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, desistiu da viagem, e há incertezas sobre o nível de representação de países-chave como Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, todos recém-integrados ao bloco. O resultado é um encontro com menos força política e diplomática do que o inicialmente projetado.
O Brasil, que ocupa a presidência do BRICS em 2025, estabeleceu seis prioridades para a cúpula: saúde global, clima, IA, arquitetura de paz, desenvolvimento institucional e comércio. No entanto, os grandes temas que dominam a geopolítica atual — guerra na Ucrânia, tensão no Oriente Médio e ataques ao Irã — exigem uma coesão que o grupo ainda não demonstra.
O debate sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU, historicamente apoiado por Brasil e Índia, continua emperrado pela resistência de Rússia e China, que detêm assentos permanentes e poder de veto. A proposta de desdolarização do comércio também divide o bloco: enquanto Moscou e Pequim pressionam por alternativas ao dólar, países como Brasil, Índia e África do Sul demonstram cautela, dada a proximidade comercial com os EUA.
Nesse contexto, a declaração final da cúpula deve adotar um tom moderado e ambíguo, evitando ataques diretos a Washington ou menções ao termo “genocídio” usado por Lula para descrever o conflito em Gaza. A linguagem diplomática revelará o dilema existencial do bloco: o BRICS quer ser um contraponto à hegemonia ocidental, mas ainda não age como uma aliança unificada.
O resultado da cúpula, portanto, deve reforçar a imagem de que, apesar de sua expansão, o BRICS ainda carece de coesão estratégica, liderança efetiva e clareza de propósito. Em um mundo em reconfiguração, o grupo precisa decidir se seguirá como um fórum simbólico ou se assumirá o custo político de disputar a liderança da nova ordem global.
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