Vorcaro é transferido para presídio federal de segurança máxima em Brasília
Fundador do Banco Master ficará em cela individual de até 6 m² enquanto STF analisa legalidade da prisão preventiva
Por: Redação
09/03/2026 às 08:36

Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
O empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master e principal investigado no escândalo financeiro que envolve a instituição, foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília, um dos presídios de segurança máxima do país. A transferência foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça após pedido da Polícia Federal.
O deslocamento começou na manhã de sexta-feira, quando um comboio com forte esquema de segurança levou Vorcaro da Penitenciária II de Potim, no interior de São Paulo, até o aeroporto de São José dos Campos. O banqueiro foi transportado algemado e usando uniforme carcerário.
Do interior paulista, Vorcaro embarcou em uma aeronave da Polícia Federal com destino a Brasília. Após pousar no hangar da PF na capital federal, ele foi conduzido ao Instituto Médico Legal para exames e, em seguida, encaminhado ao presídio federal localizado a cerca de 20 quilômetros do centro da cidade.
No sistema penitenciário federal, Vorcaro passará inicialmente por um período de inclusão em cela individual de aproximadamente 9 m² por cerca de 20 dias. Após esse período, ele deverá ser transferido para uma cela padrão de cerca de 6 m².
A cela conta com cama de concreto com colchão, sanitário, pia, chuveiro, mesa e assento. O ambiente não possui tomadas elétricas, e o preso permanece sozinho no espaço. O detento tem direito a duas horas diárias de banho de sol e recebe seis refeições por dia.
A Polícia Federal solicitou a transferência alegando risco à segurança pública. Segundo os investigadores, Vorcaro possui grande capacidade de articulação e influência junto a pessoas com poder político e econômico, o que justificaria a custódia em uma unidade federal de segurança máxima.
Outro argumento apresentado foi a proximidade da penitenciária com os órgãos responsáveis pela investigação e pela supervisão judicial das medidas cautelares determinadas pelo Supremo Tribunal Federal.
Vorcaro havia sido preso inicialmente em novembro de 2025, quando tentava embarcar no aeroporto de Guarulhos rumo à Europa. Na ocasião, ele ficou detido por 11 dias e foi liberado com uso de tornozeleira eletrônica.
Na quarta-feira (4), o empresário voltou a ser preso durante uma nova fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Após passar pelo Centro de Detenção de Guarulhos, foi transferido para Potim antes de seguir para Brasília.
A Segunda Turma do STF deve analisar nos próximos dias a decisão do ministro André Mendonça que determinou a prisão preventiva de Vorcaro e de outros investigados na operação.
Entre os alvos está o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, apontado pelos investigadores como responsável por organizar o fluxo financeiro do suposto esquema utilizado para intimidar e vigiar adversários do banqueiro.
Paralelamente, Mendonça também determinou a abertura de inquérito pela Polícia Federal para investigar o vazamento de informações sigilosas obtidas após a quebra de sigilo do empresário.
Na decisão, o ministro ressaltou que a investigação deve focar nos responsáveis pela custódia das informações confidenciais e não nos profissionais da imprensa que eventualmente tiveram acesso indireto ao material.
“A eventual identificação daqueles que teriam o dever de custodiar o material sigiloso e o violaram deve ser o objeto da investigação”, afirmou o magistrado, destacando também o papel da imprensa em sociedades democráticas.
A Polícia Federal declarou que nenhum relatório produzido no âmbito da Operação Compliance Zero incluiu informações irrelevantes ou relacionadas à vida privada dos investigados. A corporação também afirmou que não tem competência para editar ou selecionar trechos de conversas extraídas de dispositivos apreendidos.
A defesa de Daniel Vorcaro afirmou ter recebido com surpresa a divulgação de fotos do empresário dentro da unidade prisional e declarou esperar que seja respeitada a integridade de pessoas sob custódia do Estado.
O caso ainda gerou tensão institucional entre autoridades. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou manifestação ao STF reagindo a críticas feitas por André Mendonça sobre o prazo solicitado pelo Ministério Público para analisar medidas da operação.
Segundo Gonet, os autos da investigação possuem mais de duas mil páginas e exigem análise cuidadosa antes da manifestação da Procuradoria. O procurador também citou a tentativa de suicídio de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário” e preso na mesma operação, como exemplo do impacto que decisões judiciais podem causar sobre investigados.
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