O banco BTG Pactual adquiriu cerca de R$ 1,150 bilhão em carteiras de crédito consignado originadas pelo Banco Master desde 2021, em operações estruturadas por meio da emissão de debêntures.
As transações foram realizadas inicialmente de forma pública, mas passaram a ocorrer em formato privado ao longo do tempo. A primeira aquisição direta somou R$ 303 milhões, enquanto outras compras, que totalizaram cerca de R$ 850 milhões, foram feitas por meio de um fundo ligado ao próprio BTG.
Com esse modelo, o Banco Master conseguiu antecipar pelo menos R$ 1,66 bilhão em recursos ao vender suas carteiras de crédito, enquanto o BTG acessava ativos com expectativa de alta rentabilidade.
As operações eram estruturadas por uma securitizadora, responsável por adquirir os créditos do Master e repassá-los aos investidores via debêntures. Nesse modelo, os pagamentos dos empréstimos consignados eram direcionados aos investidores com juros elevados, que variavam entre 21% e 25% ao ano.
O BTG teve papel relevante na estruturação dessas operações, atuando como coordenador, selecionador de ativos e também como investidor, especialmente por meio de sua área voltada a ativos considerados de maior risco.
Apesar do potencial de retorno, as operações passaram a enfrentar dificuldades após a liquidação do Banco Master. Parte dos créditos foi bloqueada por decisões judiciais, especialmente em processos envolvendo o Estado do Rio de Janeiro e o INSS.
Em um dos casos, a Justiça autorizou a retenção de valores que seriam destinados ao Master para compensar dívidas com a previdência estadual, afetando diretamente recursos vinculados às carteiras já negociadas. Em outro, pagamentos relacionados a créditos consignados foram suspensos sob suspeita de irregularidades.
As disputas judiciais resultaram na perda de acesso a parte dos créditos por parte dos fundos ligados ao BTG, além de decisões desfavoráveis em tentativas de reversão.
Relatórios financeiros também apontam dificuldades na operação. A securitizadora responsável pelas transações registrou prejuízo líquido e teve questionamentos de auditores sobre a consistência e o lastro das carteiras adquiridas.
Mesmo diante desse cenário, o banco não comentou oficialmente as operações nem os impactos decorrentes dos bloqueios judiciais.