Decisão de Hugo Motta sobre IOF expõe desgaste entre Planalto e Haddad
Ministro da Fazenda é apontado como responsável por crise após crítica a projeto que amplia número de deputados; base aliada foi pega de surpresa
Por: Redação
25/06/2025 às 09:50

Foto: José Cruz/Agência Brasil
A decisão do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) de pautar, de forma repentina, a votação do projeto que derruba o decreto do governo sobre o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) nesta quarta-feira (25) gerou uma crise interna no Palácio do Planalto. Auxiliares do governo responsabilizam o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pelo movimento considerado uma retaliação.
O anúncio de Motta, feito na noite de terça-feira (24), surpreendeu tanto aliados quanto lideranças da oposição. Até então, o parlamentar havia sinalizado disposição para dialogar e aguardava uma alternativa por parte do governo.
Nos bastidores, integrantes da Secretaria de Relações Institucionais — comandada por Gleisi Hoffmann e responsável pela articulação política — avaliam que a reação de Motta foi motivada por uma declaração pública de Haddad à TV Record, veiculada horas antes. Na entrevista, o ministro criticou abertamente o projeto que amplia o número de cadeiras na Câmara dos Deputados de 513 para 531. A proposta, de interesse direto dos parlamentares, deve ser apreciada no Senado nesta quarta.
“Qualquer aumento de gasto não é bem-vindo”, disse Haddad, referindo-se ao impacto fiscal da medida. A fala foi mal recebida no Congresso, especialmente no momento em que o Executivo tenta consolidar apoio para enfrentar votações delicadas.
A avaliação de interlocutores de Gleisi é que o comentário foi inoportuno e expôs um desalinhamento com a base aliada em um momento crítico. O gesto de Motta é lido como um sinal de desgaste e cobrança por mais sensibilidade política por parte da equipe econômica.
O Planalto agora aposta no senador Davi Alcolumbre (União-AP) para tentar conter a derrota e evitar a derrubada do decreto sobre o IOF no Congresso.
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