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Déficit dos Correios sobe para R$ 3,1 bilhões no 1º trimestre

Déficit dos Correios sobe para R$ 3,1 bilhões no 1º trimestre

Resultado da estatal cresce 82% em relação ao mesmo período do ano passado e reforça desafio financeiro após sequência de prejuízos bilionários

Por: Redação

01/06/2026 às 20:19

Imagem de Déficit dos Correios sobe para R$ 3,1 bilhões no 1º trimestre

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Os Correios encerraram o primeiro trimestre de 2026 com déficit de R$ 3,1 bilhões, segundo balanço divulgado pela estatal no último sábado (30). O resultado representa crescimento de 82,35% em relação ao mesmo período de 2025, quando o rombo havia sido de R$ 1,7 bilhão, ampliando a pressão sobre o plano de recuperação financeira da empresa.

O déficit ocorre quando as despesas superam as receitas em determinado período. O resultado mais recente reforça uma sequência de deterioração das contas da estatal, que não registra saldo positivo em um primeiro trimestre desde 2022.

Desde então, os prejuízos vêm crescendo ano após ano. Em 2023, o déficit do primeiro trimestre foi de R$ 328 milhões. Em 2024, chegou a R$ 801 milhões; em 2025, saltou para R$ 1,7 bilhão; e, agora, atingiu R$ 3,1 bilhões nos três primeiros meses de 2026.

O cenário também sucede o resultado anual negativo de 2025, quando os Correios registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões — mais de três vezes superior ao rombo de R$ 2,6 bilhões contabilizado no exercício anterior.

Em nota divulgada junto ao balanço, a empresa afirmou que o resultado ficou abaixo da projeção inicialmente estimada para o trimestre e apontou medidas internas de contenção de gastos como fator de redução do déficit esperado.

Segundo a estatal, houve avanço em ações voltadas à recuperação do equilíbrio econômico-financeiro, com foco em controle de despesas operacionais, reorganização administrativa e melhoria gradual dos indicadores fiscais.

“A gestão rigorosa dos custos e a otimização das despesas operacionais contribuíram diretamente para a redução do déficit projetado”, afirmaram os Correios em comunicado.

A empresa também reiterou que segue executando um plano de reestruturação iniciado no fim de 2025, com o objetivo de recuperar a sustentabilidade financeira até 2027.

Entre as medidas previstas está um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a cinco instituições financeiras, destinado à recuperação da liquidez da estatal. Em uma segunda etapa, programada entre 2026 e 2027, a empresa prevê reorganização estrutural, incluindo Programa de Demissão Voluntária (PDV) para cerca de 10 mil funcionários, fechamento de aproximadamente mil unidades pelo país e revisão de cargos estratégicos, além de mudanças nos planos de saúde e previdência.

A terceira fase da reestruturação deverá ocorrer ao longo de 2027 e prevê modernização do modelo de negócios, com ampliação de parcerias, inovação logística e criação de novas fontes de receita.

Nos bastidores do setor, o avanço dos prejuízos é atribuído à combinação de queda de receitas em segmentos tradicionais, aumento dos custos operacionais, perdas logísticas e crescimento da concorrência privada. Embora a expansão do comércio eletrônico tenha impulsionado parte da demanda, o aumento nas encomendas não foi suficiente para compensar gargalos estruturais acumulados pela estatal.

Os Correios afirmam que a meta é retomar o equilíbrio econômico-financeiro e voltar a apresentar resultado líquido positivo até o fim de 2027.

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