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Dívida bruta do Brasil deve chegar a 83,7% do PIB no fim de 2026, projeta CNI
Dívida bruta do Brasil deve chegar a 83,7% do PIB no fim de 2026, projeta CNI
Por: Redação
03/11/2026 às 14:00

Foto: Divulgação: Agência Brasil
A dívida bruta do Brasil deverá alcançar 83,7% do Produto Interno Bruto (PIB) até o fim de 2026, segundo projeção da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A estimativa indica um aumento superior a cinco pontos percentuais em relação ao patamar de 78,6% registrado anteriormente.
A avaliação foi divulgada pela entidade em seu Informe Conjuntural do terceiro trimestre, publicado em 28 de outubro. O levantamento também aponta um cenário preocupante para as contas públicas, principalmente em razão dos juros elevados e do crescimento das despesas governamentais.
De acordo com Mario Sergio Telles, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, mesmo que o governo alcance o resultado primário previsto na meta fiscal, a situação das contas públicas apresenta um quadro mais negativo quando são consideradas despesas que ficam de fora do cálculo oficial para cumprimento da meta.
Pelas estimativas da entidade, o resultado primário poderá registrar superávit de R$ 12,6 bilhões, equivalente a 0,1% do PIB. Entretanto, quando incluídos precatórios e outros gastos não contabilizados para fins de cumprimento do arcabouço fiscal, o resultado seria um déficit de R$ 54,6 bilhões.
Despesas públicas devem crescer acima da inflação
O relatório da CNI também projeta aumento de 4,6% nas despesas federais em termos reais em 2026, ou seja, descontada a inflação. Entre os fatores que contribuem para essa elevação estão os pagamentos de benefícios previdenciários, os gastos com pessoal e a execução de despesas discricionárias durante o período eleitoral.
Por outro lado, a receita líquida do governo deverá apresentar crescimento de 5,9%. A projeção considera medidas como a redução de incentivos fiscais, a limitação ao aproveitamento de créditos tributários e o aumento das receitas relacionadas ao petróleo.
Apesar da expectativa de crescimento da arrecadação, a CNI avalia que a combinação entre despesas elevadas e juros altos continuará pressionando o endividamento público.
CNI prevê juros de 13,25% ao ano
No cenário econômico, a entidade também revisou suas estimativas para a taxa básica de juros, a Selic, e passou a projetar que o indicador encerre 2026 em 13,25% ao ano.
A previsão considera uma redução acumulada de até 0,50 ponto percentual nas duas reuniões seguintes do Comitê de Política Monetária (Copom), previstas para novembro e dezembro.
Mesmo com a expectativa de queda, a confederação avalia que os juros reais permanecerão elevados, em torno de 9% ao ano. Para a entidade, esse patamar representa um obstáculo ao crescimento econômico e ao aquecimento do mercado interno.
Inflação também preocupa
Outro indicador acompanhado pela CNI é a inflação. A entidade projeta que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o indicador oficial da inflação no Brasil, encerre 2026 com alta de 5,15%.
A expectativa é de que os preços dos alimentos, dos serviços e dos itens administrados pelo governo, como energia elétrica e combustíveis, contribuam para pressionar o índice nos últimos meses do ano.
O cenário projetado pela CNI reforça os desafios fiscais e econômicos enfrentados pelo país. Com o aumento da dívida pública e a manutenção dos juros em níveis elevados, o governo terá de lidar com a necessidade de equilibrar as contas públicas sem comprometer o crescimento da economia.
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