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Bolsa brasileira despenca após resultado eleitoral e registra uma das maiores quedas desde o Plano Real

Bolsa brasileira despenca após resultado eleitoral e registra uma das maiores quedas desde o Plano Real

Por: Redação

27/10/2026 às 11:25

Imagem de Bolsa brasileira despenca após resultado eleitoral e registra uma das maiores quedas desde o Plano Real

Foto: Divulgação: Agência Brasil

O mercado financeiro brasileiro enfrentou uma das sessões mais turbulentas de sua história recente na segunda-feira (26). Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, chegou a registrar queda superior a 17% durante o pregão. Ao final do dia, o indicador fechou em baixa de 13,88%, aos 176.608,23 pontos, no pior resultado diário desde março de 2020, quando os mercados foram abalados pelo início da pandemia de Covid-19.

A intensidade da desvalorização colocou o desempenho da Bolsa entre as maiores quedas registradas desde a implementação do Plano Real, em 1994. O movimento refletiu a reação dos investidores ao resultado das urnas e a revisão das expectativas sobre a condução da política econômica nos próximos anos.

Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta citado pela CNN Brasil, as maiores perdas históricas do mercado acionário brasileiro ocorreram, em grande parte, durante crises internacionais. Entre os episódios de maior impacto estão a crise financeira russa, em 1998, e a crise asiática, em 1997. Em março de 2020, a pandemia também provocou uma sequência de quedas expressivas.

Resultado das eleições surpreende investidores

A reação negativa ocorreu após Lula vencer o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno presidencial, realizado no domingo (25). O presidente foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário, uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos.

Parte do mercado financeiro vinha se posicionando para uma vitória de Flávio, que havia liderado a apuração no primeiro turno. A expectativa de uma mudança no comando do Executivo alimentava apostas em alterações na política fiscal e em medidas de controle das despesas públicas.

Com a confirmação da reeleição de Lula, investidores passaram a rever suas estratégias, provocando uma onda de vendas de ações brasileiras. O movimento atingiu diferentes setores da economia e ampliou a volatilidade dos ativos negociados na Bolsa.

A dimensão da queda levou à interrupção temporária das negociações por meio do mecanismo conhecido como circuit breaker, utilizado para conter movimentos extremos de volatilidade. A suspensão ocorreu pela primeira vez desde a pandemia de 2020.

Dólar dispara e juros futuros avançam

A turbulência não ficou restrita ao mercado acionário. O dólar também registrou forte valorização frente ao real, chegando a superar R$ 5,60 durante as primeiras negociações. No fechamento, a moeda norte-americana avançou 8,36%, cotada a R$ 5,406, segundo dados divulgados pela CNN Brasil.

Os juros futuros acompanharam o movimento de aversão ao risco e apresentaram altas expressivas. As taxas de longo prazo chegaram a subir mais de três pontos percentuais em determinados momentos do pregão, refletindo a preocupação dos investidores com as perspectivas fiscais e inflacionárias do país.

A combinação de queda na Bolsa, alta do dólar e avanço dos juros indica uma revisão significativa das expectativas do mercado. Entre as principais preocupações estão a trajetória da dívida pública, o controle dos gastos governamentais e os efeitos dessas decisões sobre a inflação e a política monetária.

Incertezas sobre a política econômica

A reação dos investidores também evidencia a importância atribuída às sinalizações do governo sobre o equilíbrio das contas públicas. A expectativa por medidas de ajuste fiscal e por maior previsibilidade na condução da economia influenciou as decisões de investimento antes e depois da votação.

Com a confirmação de mais um mandato de Lula, agentes financeiros passaram a avaliar como serão conduzidas as despesas públicas, a relação entre o governo e o Congresso Nacional e as medidas que poderão afetar os juros e o crescimento econômico.

Apesar da intensidade do movimento, a queda de um único pregão não determina, por si só, a trajetória futura da Bolsa. O comportamento dos ativos nos próximos dias dependerá, entre outros fatores, das decisões do governo, das condições econômicas internacionais e da capacidade de recuperação da confiança dos investidores.

Mercado entra em período de cautela

O desempenho de segunda-feira representa um sinal de alerta para o mercado brasileiro, mas não significa necessariamente que a desvalorização continuará no mesmo ritmo. Após movimentos extremos, os preços podem passar por ajustes à medida que os investidores assimilam novas informações e reavaliam suas posições.

A tendência para as próximas sessões dependerá da evolução das expectativas sobre a política econômica e fiscal, além do cenário internacional. Até que haja maior clareza sobre os rumos do próximo mandato, a volatilidade deve permanecer no centro das atenções de investidores e analistas.

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