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Haddad culpa Campos Neto por alta da Selic e critica “herança monetária” do BC

Haddad culpa Campos Neto por alta da Selic e critica “herança monetária” do BC

Ministro da Fazenda aponta ex-presidente do Banco Central como responsável por decisão que elevou taxa básica de juros a 15%, maior nível em quase duas décadas

Por: Redação

25/06/2025 às 10:57

O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, atribuiu ao ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, a responsabilidade pelo aumento da taxa Selic a 15% ao ano — o maior patamar registrado desde 2006. Em entrevista concedida na noite desta terça-feira (24) à Record News, Haddad afirmou que a decisão foi "contratada" ainda em dezembro de 2024, na última reunião do Copom sob comando de Campos Neto.

Segundo o ministro, a taxa atual é “excessivamente restritiva” e não condiz com o cenário econômico, já que está bem acima da inflação projetada. “Essa decisão foi herdada, estava precificada antes mesmo da posse de Galípolo”, declarou, referindo-se ao atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e empossado em janeiro deste ano.

O Ministério da Fazenda defende que o Banco Central mantenha coerência e cautela nas decisões de política monetária, evitando o que chamou de “cavalo de pau” nos rumos econômicos do país. Haddad reforçou que mudanças bruscas comprometem a credibilidade da autoridade monetária.

Apesar das críticas à taxa de juros elevada, Haddad reafirmou o compromisso do governo em estimular a economia por meio de novos instrumentos de crédito, com foco especial na classe média e no setor da construção civil — considerado estratégico para o crescimento sustentado.

A avaliação do ministro ocorre em meio a sinais positivos da economia: o desemprego registrou 6,6% em abril, menor índice para o mês desde 2012, e o PIB cresceu 1,4% no primeiro trimestre, acumulando alta de 3,5% nos últimos 12 meses.

Para Haddad, é essencial que a política fiscal seja equilibrada, mas também que o Banco Central contribua com um ambiente econômico mais favorável. “Crescimento duradouro depende de previsibilidade, responsabilidade fiscal e sensatez na condução da taxa de juros”, concluiu.

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