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Lula acelera pacote social de R$ 15 bilhões de olho em 2026, apesar de alta rejeição popular
Lula acelera pacote social de R$ 15 bilhões de olho em 2026, apesar de alta rejeição popular
Com 58% dos eleitores contrários a um quarto mandato, presidente aposta em novos programas voltados a pobres, periferia e classe média para recuperar apoio
Por: Redação
28/07/2025 às 10:29

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O governo federal prepara um robusto pacote de programas sociais para o segundo semestre de 2025, com foco direto nas eleições de 2026. Segundo reportagem do jornal O Globo desta segunda-feira (28), as medidas têm como objetivo ampliar o apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que articula sua candidatura à reeleição.
Os novos programas têm como alvo as camadas mais vulneráveis da população, mas também buscam conquistar setores da classe média, tradicionalmente mais céticos ao governo petista. A movimentação ocorre em meio a alta rejeição eleitoral: levantamento da Quaest, feito entre os dias 10 e 14 de julho, aponta que 58% dos eleitores não aprovam a ideia de Lula tentar um novo mandato.
Gás, financiamento e urbanização: apelo direto às bases eleitorais
Uma das iniciativas centrais é o programa “Gás para Todos”, que substituirá o atual Auxílio Gás. Com previsão de lançamento via Medida Provisória em agosto, o programa deve atender 16,6 milhões de famílias com um cartão específico para retirada de botijões de 13 kg. O custo previsto é de R$ 2,6 bilhões em 2025, podendo atingir R$ 5 bilhões no ano seguinte, em plena corrida eleitoral.
Outro programa com tom claramente eleitoral será voltado a motoristas e entregadores de aplicativos, permitindo acesso a financiamento para compra de motos e carros. A promessa é movimentar cerca de R$ 10 bilhões para apoiar micro e pequenos empreendedores que atuam como autônomos. A medida é vista internamente como tentativa de reverter a rejeição do governo nesse setor.
Já para a classe média, o governo estuda um programa de financiamento habitacional para reformas residenciais. Serão duas faixas de crédito: uma de até R$ 5 mil e outra de até R$ 30 mil. Ainda não se sabe a origem dos recursos nem o impacto fiscal da medida.
O lançamento do novo PAC Favelas, na última sexta-feira (25), em Osasco (SP), também sinalizou a guinada de Lula para um discurso de campanha antecipada. No evento, o presidente voltou a usar retórica agressiva: “Ele só é rico porque já roubou”, disse, ao criticar eleitores pobres que votam em candidatos ricos.
Plano contra tarifaço de Trump
Em paralelo, o governo trabalha em um plano emergencial para mitigar os efeitos do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, anunciado pelo presidente norte-americano Donald Trump, que entra em vigor nesta sexta-feira (1º). A resposta inclui linhas de crédito mais acessíveis, especialmente voltadas para pequenas e médias empresas, além de compras públicas de produtos afetados e um fundo temporário de socorro.
A equipe econômica, liderada por Fernando Haddad, já anunciou a redução na contenção de gastos no Orçamento de 2025, de R$ 31,3 bilhões para R$ 10,7 bilhões, citando aumento de receitas e recursos oriundos de leilões do pré-sal. Ainda assim, o governo mantém a meta de déficit zero, mesmo com projeção de rombo de R$ 74,9 bilhões.
O avanço dos novos programas ocorre em um momento de desequilíbrio fiscal crescente e sinais de apelo eleitoral explícito. A pressão por resultados concretos nos ministérios da Saúde e da Educação reflete a corrida por vitrine política — mesmo diante de uma economia com pouco fôlego e uma base popular dividida.
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