O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, responsabilizou nesta quarta-feira (16) as grandes empresas de tecnologia pelo tarifaço de 50% imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros. Em entrevista, Messias afirmou que as chamadas big techs são as “grandes motivadoras” da retaliação comercial, acusando-as de operar uma “agenda contratada” com o governo norte-americano.
“O grande motivador dessa reação do presidente Trump tem nome e sobrenome. Para mim, são as big techs. Hoje, a grande arma de guerra que os EUA têm para impor sua vontade aos outros países é o instrumento das big techs”, disse o ministro, ecoando críticas recorrentes do governo Lula às plataformas digitais que se recusam a aceitar regulação estatal mais rígida.
As declarações surgem em meio a um esforço paralelo do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tem buscado diálogo direto com autoridades dos Estados Unidos para tentar reduzir os danos econômicos causados pela tarifa. Tarcísio já se reuniu com o encarregado de negócios da embaixada americana, Gabriel Escobar, e com representantes do setor produtivo, em uma tentativa de articulação subnacional.
AGU critica iniciativa paulista
Apesar do caráter diplomático do gesto, o movimento do governador paulista foi mal recebido pelo Palácio do Planalto. Messias criticou a articulação e disse que o governador “bateu na porta errada”, defendendo que apenas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin (PSB), possuem legitimidade constitucional para tratar do tema.
“Tenho certeza de que não é a intenção do governador, mas essa interferência pode ter efeitos negativos para o país”, declarou o ministro, sugerindo que a chamada “diplomacia subnacional” poderia enfraquecer a posição do governo federal nas negociações com os norte-americanos.





