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Banco Master emprestou R$ 460 milhões a empresa com capital social 200 vezes menor

Banco Master emprestou R$ 460 milhões a empresa com capital social 200 vezes menor

Denúncia do Banco Central aponta que recursos foram repassados a fundos ligados à Reag e integra investigação sobre suposto esquema financeiro bilionário

Por: Redação

10/01/2026 às 09:31

Imagem de Banco Master emprestou R$ 460 milhões a empresa com capital social 200 vezes menor

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O Banco Master concedeu um empréstimo de cerca de R$ 460 milhões a uma empresa com capital social de apenas R$ 2,2 milhões, valor aproximadamente 200 vezes inferior ao montante liberado. A operação foi alvo de denúncia do Banco Central do Brasil (BC) ao Ministério Público Federal (MPF) e faz parte das apurações que levaram à liquidação da instituição financeira.

De acordo com o BC, a beneficiária do empréstimo foi a Brain Realty Consultoria e Participações Imobiliárias, que recebeu os recursos em abril de 2024. No mesmo dia, o dinheiro teria sido direcionado a fundos administrados pela Reag Asset Management, em uma movimentação considerada atípica pelos investigadores.

Segundo a denúncia, os valores passaram inicialmente pelo Brain Cash Fundo de Investimento Financeiro Multimercado, que tem a própria Brain Realty como única cotista, e, poucas horas depois, seguiram para outro fundo da mesma gestora, o D Mais. Para o Banco Central, a estrutura indica possível uso de fundos de investimento para circular recursos e dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.

As investigações também chamam atenção para a evolução do capital social da Brain Realty, que saltou de R$ 100 para R$ 2,2 milhões em dezembro de 2023, apenas quatro meses antes da liberação do empréstimo. A reunião que aprovou o aumento foi presidida por João Carlos Mansur, fundador da Reag, que posteriormente deixou a gestora após a deflagração da operação Carbono Oculto, da Receita Federal.

Outro ponto sob análise envolve o fundo D Mais, cujo principal ativo seriam certificados físicos de ações do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), incorporado pelo Banco do Brasil em 2008. Segundo os investigadores, esses papéis teriam sido registrados por valores muito superiores aos de mercado, inflando artificialmente o patrimônio dos fundos.

A suspeita das autoridades é de que os recursos tenham circulado por diferentes estruturas financeiras até chegar a carteiras em nome de “laranjas” ligados ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O Banco Central estima que o esquema possa ter movimentado ao menos R$ 11,5 bilhões, com origem em certificados de depósito bancário (CDBs) vendidos a investidores.

Procurados, representantes da Brain Realty e da Reag não se manifestaram sobre as acusações. O Banco Master também não respondeu aos questionamentos. As apurações seguem em curso no MPF e integram um conjunto mais amplo de denúncias envolvendo a atuação da instituição financeira antes de sua liquidação.

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