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Banco Master repassou R$ 3,6 bilhões em créditos para fundos ligados à Reag, investigada pela PF

Banco Master repassou R$ 3,6 bilhões em créditos para fundos ligados à Reag, investigada pela PF

Documento apresentado à Justiça aponta operações bilionárias entre 2021 e 2025; Polícia Federal apura suspeitas de fraude bancária e lavagem de dinheiro

Por: Redação

21/07/2026 às 08:24

Imagem de Banco Master repassou R$ 3,6 bilhões em créditos para fundos ligados à Reag, investigada pela PF

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O Banco Master transferiu ao menos R$ 3,6 bilhões em créditos de operações de empréstimos para fundos de investimento administrados ou estruturados pela gestora Reag, empresa que é alvo de investigação da Polícia Federal por suspeitas de fraude bancária e lavagem de dinheiro relacionada ao setor de combustíveis. Os valores constam em documentos apresentados à Justiça pelo liquidante da instituição financeira no âmbito do processo que envolve o bloqueio de bens do empresário Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro.

A relação analisada reúne 112 operações de cessão de crédito realizadas entre 2021 e 2025. Segundo o documento, parte significativa dos empréstimos foi transferida aos fundos no mesmo dia em que os contratos foram firmados, circunstância que passou a integrar as investigações conduzidas pela Polícia Federal.

De acordo com a apuração, a Reag teria participado da estruturação e administração de fundos suspeitos de movimentar recursos de forma atípica e de registrar resultados artificialmente elevados. Um dos investigados é o fundador da gestora, João Carlos Mansur.

A principal hipótese investigada pela PF é que as cessões de crédito serviriam para retirar empréstimos do balanço do Banco Master, permitindo que a instituição emitisse novos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e ampliasse sua capacidade de captação. Conforme essa linha de investigação, os recursos obtidos por meio dos CDBs seriam emprestados a empresas, que, posteriormente, aplicariam parte desse dinheiro em fundos responsáveis pela compra desses mesmos créditos. Em caso de inadimplência, o prejuízo seria suportado pelos fundos de investimento.

Entre as operações identificadas estão seis empréstimos que totalizam R$ 130 milhões para empresas ligadas ao grupo Gafisa, companhia que tem entre seus acionistas o investidor Nelson Tanure. Segundo os registros, os créditos foram cedidos no mesmo dia ao fundo Yvrac Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, veículo que possui participação do próprio Banco Master. O informe trimestral mais recente do fundo afirma que os direitos creditórios adquiridos estão em conformidade com sua política de investimentos.

As investigações também alcançam o fundo Astralo 95, que recebeu aproximadamente R$ 357 milhões em créditos cedidos pelo Banco Master. O fundo foi citado na Operação Carbono Oculto, investigação que apura um suposto esquema de fraudes, lavagem de dinheiro e ocultação de recursos ilícitos no setor de combustíveis, com suspeitas de ligação com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo a investigação, o Astralo 95 integra a chamada "estrutura Frozen", grupo de fundos que inclui veículos como Olaf, Hans, Sven e Anna. As operações repassadas ao Astralo envolveram oito pessoas físicas e jurídicas entre 2022 e 2024.

O liquidante do Banco Master também questiona judicialmente movimentações envolvendo esses fundos. Em uma das operações apontadas no processo, o fundo Anna teria obtido um ganho de aproximadamente R$ 200 milhões em menos de um dia ao comprar cotas do fundo RSG, pertencentes ao Astralo 95, por R$ 900 milhões e revendê-las, na mesma data, ao fundo Máxima 2, controlado pelo Banco Master, por R$ 1,1 bilhão.

 
 

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