O advogado-geral da União, Jorge Messias, iniciará nesta quarta-feira (13) um período de afastamento das atividades públicas após sofrer uma derrota histórica no Senado Federal, que rejeitou sua indicação para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.
Segundo informações divulgadas pela Revista Oeste, Messias deve tirar duas semanas de férias para decidir se permanecerá ou não no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com interlocutores, o ministro confidenciou a aliados que atravessa um “período de silêncio” após a derrota política no Congresso. A avaliação é de que sua permanência intensa no noticiário poderia prejudicar processos estratégicos defendidos pela Advocacia-Geral da União no Supremo.
Messias teme que a imagem de derrotado politicamente “contamine” teses jurídicas importantes da União e desvie a atenção dos ministros do STF durante julgamentos relevantes.
O afastamento já provocou mudanças internas na AGU. O ministro não participou recentemente do julgamento sobre a divisão dos royalties do petróleo, processo que envolve cerca de R$ 9 bilhões anuais.
Em vez de fazer pessoalmente a sustentação oral, como havia ocorrido em julgamentos anteriores, o memorial da AGU foi assinado pelo substituto Flávio José Roman, enquanto a defesa ficou sob responsabilidade da advogada Andrea Dantas.
Nos bastidores, aliados aconselharam Messias a delegar exposições públicas e funções mais visíveis até que o ambiente político em Brasília fique menos tensionado.
Segundo a publicação, o chefe da AGU chegou a cogitar entregar o cargo imediatamente após a rejeição de seu nome pelo Senado. Ele teria se reunido com Lula no Palácio da Alvorada ainda sob impacto da derrota.
O presidente, porém, pediu que o aliado não tomasse decisões precipitadas e defendeu sua continuidade no comando da AGU.
Aliados do ministro avaliam que Messias acabou sendo vítima da disputa política entre Congresso e Executivo, e não de falhas pessoais.
A expectativa é de que ele retorne às atividades no próximo dia 25 de maio, focando principalmente em funções internas da AGU. A atuação direta na tribuna do STF deve permanecer suspensa até que o ministro recupere capital político dentro do governo e no Judiciário.