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Comercial das Havaianas provoca reação da direita e gera movimento de boicote à marca

Comercial das Havaianas provoca reação da direita e gera movimento de boicote à marca

Campanha com Fernanda Torres é vista como provocação ideológica e reforça críticas ao uso político da publicidade

Por: Redação

22/12/2025 às 07:46

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Foto: Reprodução

Um novo comercial da Havaianas desencadeou forte reação entre políticos, influenciadores e militantes da direita neste domingo (21). A campanha, estrelada pela atriz Fernanda Torres, foi interpretada por setores conservadores como provocação ideológica disfarçada de publicidade, levando à convocação de um boicote à marca nas redes sociais.

Na peça publicitária, a atriz afirma que não deseja que o público comece o próximo ano com o pé “direito”, sugerindo, em tom metafórico, que as pessoas iniciem 2026 “com os dois pés”, sem depender de sorte. Embora o texto não faça menção explícita à política, a escolha da expressão foi entendida por críticos como alusão simbólica contra a direita, especialmente no atual contexto de polarização no país.

A polêmica ganhou força pelo histórico recente de Fernanda Torres, que esteve em evidência internacional após atuar no filme “Ainda Estou Aqui”, produção que aborda o período da ditadura militar sob uma ótica alinhada ao discurso tradicional da esquerda cultural brasileira.

Parlamentares ligados ao bolsonarismo reagiram de forma dura. O deputado federal Rodrigo Valadares (União-SE), vice-líder da Oposição na Câmara, classificou a campanha como ativismo político explícito.

“Havaianas faz campanha política contra a direita. Seguimos firmes na defesa de Deus, pátria, família e liberdade. Por aqui, vamos de Rider, Ipanema, Crocs e outras”, escreveu o deputado.

O vereador paulistano Rubinho Nunes também criticou a marca e associou o comercial ao grupo controlador da empresa.

“A Havaianas escancarou de vez o viés ideológico ao atacar o ‘pé direito’. A marca pertence ao grupo da família Moreira Salles, a mesma que financiou o filme Ainda Estou Aqui. Transformaram um símbolo brasileiro em panfleto político”, afirmou.

Na mesma linha, a vereadora gaúcha Mariana Lescank defendeu abertamente a substituição da marca por concorrentes.

“Pertencem a esquerdistas, contratam esquerdistas e fazem discurso esquerdista. Então vamos de Rider, Ipanema, Cartago, Olympikus e Crocs. Havaianas, deixamos para a esquerda”, declarou.

A controvérsia reacende um debate cada vez mais presente no campo conservador: o uso de grandes marcas e da indústria cultural como instrumentos de militância ideológica, muitas vezes afastando consumidores que não se identificam com pautas progressistas.

Para críticos da campanha, o episódio reforça a percepção de que símbolos populares do Brasil vêm sendo apropriados por narrativas políticas alinhadas à esquerda, em detrimento de uma postura neutra esperada do setor privado.

A reação contra a Havaianas ocorre poucos dias após outra controvérsia envolvendo o SBT. A emissora foi alvo de críticas de bolsonaristas após convidar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes para um evento institucional.

Os ânimos só começaram a se acalmar depois que o senador Flávio Bolsonaro participou de um programa da emissora. Ainda assim, parte da militância conservadora segue defendendo boicotes seletivos a empresas e marcas vistas como alinhadas ao establishment político e cultural da esquerda.

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