A defesa de Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro, pretende utilizar informações obtidas em uma ação judicial nos Estados Unidos para tentar reverter o processo contra ele no Brasil. O advogado Ricardo Scheiffer afirmou que não espera mudanças no caso a partir da atuação da Justiça brasileira e vê na documentação mantida sob custódia de um juiz norte-americano uma possível base para um novo pedido de revisão criminal.
Em entrevista ao programa Oeste Sem Filtro, na quarta-feira (26), Scheiffer afirmou que a defesa pretende aguardar a conclusão do processo nos EUA antes de apresentar uma nova medida no Brasil.
“Absolutamente não temos esperança que algo mude”, declarou o advogado.
Segundo Scheiffer, a expectativa é que os documentos obtidos nos Estados Unidos possam dar mais consistência ao pedido para anular o processo contra Martins. A defesa também avalia levar o caso a instâncias internacionais até outubro.
Defesa diz ter suspeitas sobre registros migratórios
Outro ponto mencionado pelo advogado envolve registros migratórios atribuídos a Filipe Martins nos Estados Unidos. Scheiffer afirmou que a defesa possui suspeitas e nomes que podem estar relacionados às inserções, mas ressaltou que os documentos capazes de confirmar oficialmente os responsáveis ainda estão sob controle do juiz norte-americano.
A equipe jurídica aguarda uma decisão sobre a liberação desse material e sobre quais informações poderão ser divulgadas. Para Scheiffer, a documentação pode ser relevante para esclarecer a origem dos registros e sustentar os próximos passos da defesa.
Filipe Martins permanece preso no Paraná
Martins continua preso na Cadeia Pública de Ponta Grossa, no Paraná. De acordo com seu advogado, ele permanece sozinho em uma cela e mantém uma rotina de leitura, oração e jejum.
A entrevista ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar visitas de Carlos Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Barbara Destefani e do deputado estadual Ricardo Arruda (PL-PR) ao ex-assessor, em datas diferentes.
Scheiffer criticou a necessidade de autorizações individuais para as visitas e questionou os critérios utilizados para definir datas e horários.
Próximos passos
A estratégia da defesa agora está concentrada na ação nos Estados Unidos. A expectativa é obter acesso aos documentos que podem esclarecer quem realizou os registros questionados e, com essas informações, reforçar uma eventual revisão criminal no Brasil.
Segundo Scheiffer, o objetivo final é pedir a anulação do processo contra Filipe Martins, utilizando tanto os elementos já reunidos pela defesa quanto aqueles que eventualmente forem obtidos na Justiça norte-americana.