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DPU questiona atuação de Moraes em ação contra Eduardo Bolsonaro no STF

DPU questiona atuação de Moraes em ação contra Eduardo Bolsonaro no STF

Defensoria Pública da União sustenta que ministro não poderia relatar processo por ser apontado como suposta vítima e pede revisão de procedimentos adotados na ação

Por: Redação

26/05/2026 às 09:33

Imagem de DPU questiona atuação de Moraes em ação contra Eduardo Bolsonaro no STF

Foto: Zeca Ribeiro/Agência Câmara

A Defensoria Pública da União (DPU) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) manifestação em que questiona a atuação do ministro Alexandre de Moraes na ação penal envolvendo o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. O argumento central da defesa é que Moraes não poderia relatar nem julgar o caso por ser citado na denúncia como suposta vítima das condutas investigadas.

A manifestação foi apresentada nas alegações finais do processo, protocoladas na última sexta-feira (22). A ação apura suposto crime de coação atribuído a Eduardo Bolsonaro, tendo Moraes como relator no Supremo.

Segundo a DPU, a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República menciona nominalmente Alexandre de Moraes como alvo das supostas pressões investigadas, o que, na avaliação da defesa, comprometeria o princípio do juiz imparcial previsto na Constituição e em tratados internacionais. A Defensoria sustenta que a atuação simultânea do ministro como relator e parte supostamente atingida pela investigação colocaria em debate a validade do processo.

Outro ponto levantado pela defesa diz respeito ao procedimento de citação do ex-parlamentar. Conforme a DPU, Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos em endereço conhecido, razão pela qual deveria ter sido intimado por carta rogatória, instrumento jurídico utilizado para comunicação formal de atos processuais no exterior, e não por edital.

A Defensoria também argumenta que, mesmo na hipótese de validade da citação por edital, o processo deveria ter sido suspenso porque Eduardo não compareceu nem constituiu defesa técnica naquele momento. Além disso, a DPU afirma que as declarações públicas atribuídas ao ex-deputado não configurariam o crime de coação no curso do processo, previsto no artigo 344 do Código Penal.

O caso segue sob análise do STF, em meio ao debate jurídico sobre imparcialidade, competência processual e os limites da responsabilização criminal por declarações públicas envolvendo autoridades da Corte.

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