Empresário cotado para vice de Zema responde a processo por supostas fraudes
Decisão da Justiça aponta indícios de desvio patrimonial, uso de empresas ligadas a familiares e prejuízo milionário a credores; investigações seguem em andamento
Por: Redação
06/07/2026 às 10:39

Foto: SEBRAE-SP
O empresário Geraldo Rufino (Podemos), apontado como possível candidato a vice na chapa do ex-governador Romeu Zema (Novo) à Presidência da República, é alvo de um processo judicial que apura supostas irregularidades na condução da recuperação judicial da JR Diesel, empresa da qual é fundador. A ação envolve suspeitas de fraudes que teriam causado prejuízo de pelo menos R$ 6,8 milhões a credores.
Conhecido nacionalmente por palestras sobre empreendedorismo e superação, Rufino ganhou notoriedade ao relatar sua trajetória desde a infância humilde até a criação da JR Diesel, empresa do setor de desmontagem de veículos. Nas últimas semanas, seu nome passou a ser citado como possível integrante da chapa presidencial de Romeu Zema, embora não haja definição oficial sobre a composição.
Em decisão proferida em 13 de abril, a juíza Gilvana Mastrandéa de Souza, da 7ª Vara Cível de Osasco, manteve o afastamento de Geraldo Rufino e de sua esposa, Marlene Rufino, da administração da JR Diesel. Segundo a magistrada, há indícios de um padrão de conduta marcado por confusão patrimonial, desvio de recursos e favorecimento de determinados credores durante o processo de recuperação judicial da empresa.
As investigações citadas na decisão indicam que empresas ligadas a familiares e funcionários teriam sido utilizadas para operar com a mesma estrutura da JR Diesel, permanecendo protegidas das dívidas da empresa em recuperação judicial.
Segundo os autos, também foram identificadas transferências superiores a R$ 6,8 milhões para sócios, parentes e empresas relacionadas, sem justificativa contratual ou contábil. Para a magistrada, os elementos reforçam a existência de indícios de desvio patrimonial durante o processo de recuperação.
A decisão menciona ainda pagamentos de despesas pessoais dos sócios com recursos da empresa, movimentações frequentes em dinheiro, suspeitas de existência de um caixa paralelo e a concessão de aproximadamente R$ 380 mil em créditos aos filhos de Geraldo Rufino, embora eles, segundo a investigação, não integrassem o quadro funcional nem prestassem serviços à companhia.
Ao justificar a manutenção do afastamento dos administradores, a juíza afirmou que o retorno dos sócios à gestão poderia criar risco de repetição das irregularidades investigadas e ampliar os prejuízos aos credores.
Além da ação cível, a decisão informa que tramita um inquérito policial para investigar eventual prática de crimes previstos na Lei de Falências por parte dos antigos administradores da empresa. Até o momento, as apurações seguem em andamento e não há decisão definitiva sobre o caso.
Em uma videoaula divulgada na internet, ao comentar dificuldades financeiras enfrentadas em sua trajetória empresarial, Geraldo Rufino orientou empresários a protegerem recursos durante períodos de crise.
"Guarda [o dinheiro] onde der para guardar. Pai, mãe, sobrinho, guardem no colchão e não tem problema. O credor vai te pressionar o tempo todo. Não espere diferente."
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