Escritório ligado à família de Moraes aciona senador
Declarações de Alessandro Vieira sobre possível ligação com o crime organizado geram reação e disputa judicial
Por: Redação
16/03/2026 às 21:22

Foto: Pedro França/Agência Senado
O escritório Barci de Moraes, que tem como sócia Viviane Barci — esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) —, anunciou que ingressará com uma ação judicial contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) por suposta calúnia e difamação.
Além do processo, a banca também pedirá indenização por danos morais contra o parlamentar, relator da CPI do Crime Organizado no Senado.
A iniciativa ocorre após declarações de Vieira em entrevista ao SBT News, nas quais afirmou que “apurações em andamento” indicariam circulação de recursos entre o crime organizado e pessoas ligadas a integrantes do Judiciário, incluindo familiares de ministros do STF.
“Há informações que apontam circulação de recursos entre esse grupo criminoso e familiares dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Não é razoável dizer agora que essa circulação é ilícita”, disse o senador.
Em resposta, Alessandro Vieira afirmou que suas falas foram distorcidas e classificou a ação como uma tentativa de intimidação.
Segundo o senador, ele não acusou diretamente o escritório ou familiares de ministros de ligação com o PCC, mas mencionou um possível fluxo financeiro envolvendo o grupo investigado no Caso Master.
“Essa interpretação não corresponde ao que falei. Relatei um possível processo de lavagem de dinheiro envolvendo um grupo que contratou o escritório. Não apontei ligação direta com o PCC”, declarou.
Vieira também reforçou que suas críticas se referem às atividades do grupo ligado ao Banco Master, investigado por suspeitas de fraude financeira e conexões com estruturas ilícitas.
O episódio se soma a uma série de controvérsias envolvendo o Banco Master, cujo dono, Daniel Vorcaro, está preso preventivamente e é alvo de investigações da Polícia Federal.
O escritório Barci de Moraes entrou no centro do debate após confirmar que prestou serviços jurídicos ao banco entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, período em que, segundo a própria banca, houve “ampla consultoria e atuação jurídica”.
A revelação intensificou questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse e ampliou a pressão política sobre o STF, especialmente em meio às investigações conduzidas no Congresso.
A ação judicial anunciada pelo escritório deve aprofundar o embate entre parlamentares e o entorno de ministros da Suprema Corte, em um momento em que o Caso Master já provoca forte repercussão política.
Com investigações em andamento, troca de acusações e disputas institucionais, o episódio reforça o ambiente de tensão entre Congresso, Judiciário e governo — ampliando o desgaste em um cenário já marcado por desconfiança e disputas de poder.
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