Esposa do delegado-geral de Alagoas é alvo da PF
Aially Xavier é suspeita de ter se beneficiado de esquema que fraudava provas de concursos públicos; defesa nega as acusações
Por: Redação
07/10/2025 às 10:17

Foto: Reprodução/Direção Concursos
A Polícia Federal cumpriu, nesta quinta-feira (2), mandado de busca e apreensão contra Aially Soares Tavares Pinto Xavier, esposa do delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier, no âmbito da operação Última Fase, que investiga fraudes em concursos públicos nacionais, incluindo o Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024,
A investigação aponta que Aially teria se beneficiado do esquema criminoso ao participar do certame para o cargo de auditor fiscal do trabalho, obtendo um gabarito idêntico ao de outros candidatos investigados. Segundo a PF, os exames apresentavam respostas e erros materialmente idênticos, o que levantou forte suspeita de colaboração ou acesso prévio ao conteúdo da prova.
Apesar da coincidência nas respostas, os agentes afirmam que não foram encontradas mensagens ou documentos diretos em aparelhos celulares que comprovem a contratação ou o contato de Aially com o grupo criminoso. Ainda assim, a PF sustenta que há “indícios fortes” de fraude no CNU, descrita como uma ação de organização estruturada e audaciosa que teria beneficiado ao menos quatro candidatos.
Esquema milionário e sofisticado
De acordo com a Polícia Federal, o grupo criminoso cobrava valores entre R$ 300 mil e R$ 500 mil para fraudar provas de concursos públicos, incluindo seleções da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Polícias Civis de Pernambuco e Alagoas e da Universidade Federal da Paraíba.
O método utilizado envolvia pontos eletrônicos implantados cirurgicamente e retirados após o exame. A estrutura, segundo os investigadores, contava com um verdadeiro “staff de especialistas” capaz de operar o sistema de comunicação e garantir a aprovação dos candidatos interessados.
Defesa nega irregularidades
Em nota enviada ao portal Metrópoles, a defesa de Aially afirmou que não há provas de materialidade que sustentem as acusações e classificou como “natural” a existência de gabaritos semelhantes em provas de grande concorrência.
“É perfeitamente natural que numa prova concorrida como a do Concurso Nacional Unificado haja gabaritos semelhantes, vários, até. Chama a atenção o fato de a ordem de busca ter partido de um delegado da Paraíba, sendo que Aially reside em Alagoas”, diz o comunicado da defesa.
O delegado-geral Gustavo Xavier não se manifestou até o momento sobre o caso.
Contexto e repercussão
A operação Última Fase é um desdobramento de investigações iniciadas em 2024 e representa mais um capítulo da crise de credibilidade nos concursos públicos federais após denúncias de corrupção e favorecimento político.
A investigação da PF reforça o debate sobre a transparência e a vulnerabilidade dos processos seletivos nacionais, especialmente em um país onde a estabilidade do funcionalismo público é amplamente disputada e politizada.
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