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“Eu vi Bolsonaro no hospital pedindo para Deus levá-lo”, diz Michelle

“Eu vi Bolsonaro no hospital pedindo para Deus levá-lo”, diz Michelle

Médicos confirmam traumatismo craniano leve sem lesões intracerebrais

Por: Redação

07/01/2026 às 22:45

Imagem de “Eu vi Bolsonaro no hospital pedindo para Deus levá-lo”, diz Michelle

Foto: Reprodução

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (7) que presenciou o ex-presidente Jair Bolsonaro, 70 anos, em intenso sofrimento durante atendimento médico no hospital DF Star, em Brasília. Segundo ela, o marido chegou a pedir para morrer diante das dores que sentia após a queda sofrida na cela da Superintendência da Polícia Federal, na madrugada de terça-feira (6).

“Eu vi ele pedindo para Deus levá-lo, porque ele não aguentava mais a dor”, declarou Michelle a jornalistas em frente ao hospital, onde Bolsonaro foi submetido a exames de imagem e avaliação neurológica.

De acordo com a ex-primeira-dama, não foi possível determinar com precisão o horário do acidente. Ao visitá-lo, disse ter encontrado o ex-presidente confuso, com dificuldade para se comunicar e sob efeito de medicações fortes, que o deixaram sonolento. “Ele não conseguia falar, não se lembrava se a queda foi de madrugada ou ainda à noite”, relatou. Michelle mencionou ainda a existência de um degrau entre o quarto e o banheiro da cela, o que pode ter contribuído para o tombo.

Michelle afirmou que Bolsonaro convive com dores constantes desde as cirurgias realizadas ao longo dos últimos anos e que desenvolveu uma espécie de “modo de sobrevivência” para lidar com o sofrimento diário. Segundo ela, o ex-presidente evita pedir ajuda e não gosta de incomodar, comportamento que pode ter contribuído para a demora no socorro.

A ex-primeira-dama ressaltou que o marido já passou por nove intervenções cirúrgicas, apresenta comorbidades e episódios frequentes de tontura. Disse que, em casa, costumava acompanhá-lo de perto por receio de quedas. Também criticou o fato de não ter podido acompanhar Bolsonaro durante os exames e afirmou que o contato do casal no dia do incidente se limitou a 30 minutos, tempo que, segundo ela, seria o direito de visita.

Diante do quadro, Michelle voltou a defender a concessão de prisão domiciliar. Afirmou que deseja cuidar pessoalmente do marido e que não há justificativa para mantê-lo preso nas atuais condições. “Ele não deveria estar em uma solitária, com 70 anos e vários problemas de saúde que precisam ser administrados”, disse, ao pedir acompanhamento médico e psicológico contínuo.

O vereador Carlos Bolsonaro também criticou o atendimento prestado ao pai, classificando como “inaceitável” a demora no socorro. Para ele, o risco de novos episódios torna o quadro ainda mais preocupante.

A saída temporária de Bolsonaro da prisão para atendimento médico foi autorizada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. A defesa solicitou tomografia e ressonância magnética do crânio, além de eletroencefalograma.

O cardiologista Brasil Caiado, integrante da equipe médica do ex-presidente, informou que os exames confirmaram traumatismo craniano leve, sem lesões intracerebrais. Segundo o médico, a contusão ocorreu quando Bolsonaro tentou caminhar no ambiente da cela e caiu. “Há lesão em partes moles da região temporal e frontal direitas, mas o intracrânio está preservado, o que é um bom sinal”, afirmou.

Caiado acrescentou que o ex-presidente apresentou um pequeno déficit de memória após o episódio, mas que a lesão não é considerada preocupante. O caso, no entanto, reacendeu o debate sobre as condições de custódia e a adequação do regime prisional diante do estado de saúde do ex-presidente.

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