Fachin pede a Mendonça levantamento do sigilo no caso Banco Master
Presidente do STF quer que material da investigação seja compartilhado com os demais ministros antes de julgamento marcado para 15 de setembro
Por: Redação
11/09/2026 às 08:00

Foto: G. Dettmar/CNJ | Luiz Roberto/TSE
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, solicitou ao ministro André Mendonça o levantamento do sigilo da investigação relacionada ao Banco Master. O pedido foi feito nesta quinta-feira (10) e ocorre cinco dias antes da sessão extraordinária convocada para analisar a crise envolvendo o caso.
Fachin também determinou que o relator encaminhe à Presidência e aos gabinetes dos demais integrantes da Corte cópias de todos os procedimentos relacionados à investigação. A solicitação, porém, preserva as diligências cujo sigilo seja considerado indispensável para a execução das medidas.
Como Mendonça é o relator do caso, caberá a ele definir a extensão do levantamento do sigilo, seguindo a ressalva estabelecida pelo presidente do Supremo.
Investigação ampliou divergências dentro do STF
A crise ganhou força depois que Mendonça solicitou à Polícia Federal informações sobre uma possível rede de influência relacionada ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Os dados produzidos pela PF incluem registros de contatos de Vorcaro com autoridades, entre elas o ministro Alexandre de Moraes.
A Procuradoria-Geral da República questionou a condução da apuração e argumentou que Mendonça não poderia determinar, por iniciativa própria, uma investigação envolvendo outro integrante do STF.
Moraes, por sua vez, encaminhou documentos à Presidência da Corte apontando possíveis irregularidades na atuação de Mendonça. Diante do conflito entre as versões, Fachin abriu um procedimento para concentrar os documentos e ouvir as autoridades envolvidas.
Disputa chegou ao comando da Polícia Federal
A controvérsia aumentou nesta semana depois que Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. A medida ocorreu em meio a questionamentos sobre a produção dos relatórios relacionados ao caso Master.
Posteriormente, o ministro Flávio Dino determinou o retorno dos dois dirigentes aos cargos. Fachin suspendeu as decisões de Mendonça e Dino diante do conflito entre as determinações e concentrou a análise do episódio na Presidência do STF.
O presidente da Corte também suspendeu procedimentos que possam resultar em investigações contra ministros do Supremo sem uma análise prévia da Presidência.
Plenário terá de analisar a crise
Fachin convocou os 11 ministros do STF para uma sessão extraordinária em 15 de setembro. O julgamento deverá reunir os diferentes pontos da controvérsia envolvendo o caso Banco Master, incluindo as decisões tomadas durante a investigação e os questionamentos sobre a atuação de integrantes da Corte e da Polícia Federal.
A solicitação para ampliar o acesso aos autos ocorre, portanto, às vésperas da análise colegiada do caso. A disponibilização do material aos ministros deverá permitir que os integrantes do Supremo tenham acesso aos documentos antes da sessão.
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