As despesas do governo federal com viagens oficiais chegaram a R$ 2,5 bilhões em 2025, segundo dados oficiais da administração pública. Do total, R$ 418 milhões foram classificados sob sigilo e não tiveram detalhes completos divulgados ao contribuinte.
Os maiores gastos foram registrados em deslocamentos dentro do Brasil, que consumiram cerca de R$ 1,8 bilhão. Já as viagens internacionais somaram R$ 249 milhões, enquanto R$ 15,4 milhões aparecem sem destino especificado nos registros públicos.
Entre os órgãos com maiores despesas sigilosas estão a Polícia Federal, com R$ 251 milhões, e a Polícia Rodoviária Federal, com R$ 120 milhões. O Ministério da Justiça registrou R$ 39,7 milhões em viagens protegidas por sigilo.
Os dados apontam ainda gastos elevados em viagens internacionais de integrantes do governo e de autoridades ligadas à administração federal.
Um dos maiores registros foi a participação do almirante Renato de Aguiar Freire em um evento em Singapura, ao custo de R$ 260 mil, sendo R$ 246 mil destinados apenas a passagens aéreas. Já Pietro Sampaio Mendes, então presidente do Conselho da Petrobras, realizou viagens para Abu Dhabi e Riade com despesas de R$ 246 mil.
A diretora-executiva da COP30, Ana Toni, também esteve em uma série de agendas internacionais, incluindo viagens para Nova Délhi, Adis Abeba, Pequim e Sydney. Entre os destinos internacionais mais frequentes do governo aparecem Paris, Genebra, Pequim e Washington.
Os registros oficiais mostram ainda deslocamentos para destinos menos usuais. Houve viagens para Kigali, em Ruanda, Ilhas Maurício, Chengdu, na China, além de 21 deslocamentos para Cotonou, no Benin, ligados principalmente a agendas culturais e diplomáticas.
Em nota, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os gastos seguem critérios previstos na legislação e abrangem atividades de áreas como segurança pública, saúde, educação e relações internacionais.
A Presidência também declarou que parte das informações foi protegida com base na Lei de Acesso à Informação (LAI), especialmente em casos relacionados a operações sensíveis ou investigações em andamento.