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Juristas questionam decisão de Moraes que suspendeu efeitos da Lei da Dosimetria

Juristas questionam decisão de Moraes que suspendeu efeitos da Lei da Dosimetria

Advogados afirmam que medida monocrática não teria respaldo constitucional e reacende debate sobre limites do STF

Por: Redação

11/05/2026 às 07:46

Imagem de Juristas questionam decisão de Moraes que suspendeu efeitos da Lei da Dosimetria

Foto: Rosinei Coutinho/STF

A decisão do ministro Alexandre de Moraes de impedir a aplicação imediata da Lei da Dosimetria em processos ligados aos atos de 8 de janeiro provocou reação de juristas e especialistas em Direito Constitucional e Processual Penal.

A nova legislação, aprovada pelo Congresso Nacional após derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevê revisão de penas aplicadas a condenados pelos atos antidemocráticos de 2023.

Mesmo com a lei em vigor, Moraes decidiu suspender sua aplicação nos processos de execução penal sob sua relatoria enquanto o STF analisa ações que questionam a constitucionalidade da norma.

A medida passou a ser criticada por especialistas, que argumentam que ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) não suspendem automaticamente os efeitos de uma lei aprovada pelo Congresso.

O advogado Fabricio Rebelo afirmou que a simples existência de uma ADI não autorizaria a paralisação da aplicação da norma.

“A mera propositura de uma ADI não constitui fundamento mínimo para sustar a aplicação de uma lei promulgada pelo Congresso Nacional, muito menos por decisão monocrática”, declarou.

Segundo ele, a Lei 9.868/1999 exige quórum qualificado no Supremo para suspensão cautelar de leis em vigor.

O professor de Direito Processual Penal Rodrigo Chemim também questionou a decisão e afirmou que a Constituição não confere ao relator de processos penais poder para suspender leis individualmente.

Para o jurista, a medida cria uma situação considerada incomum do ponto de vista jurídico.

“A lei continua formalmente válida para todos, mas deixa de valer naquele caso porque assim decidiu individualmente o relator”, afirmou.

Chemim ainda avaliou que esse tipo de entendimento pode gerar insegurança jurídica ao concentrar excessivo poder decisório em decisões monocráticas.

O advogado constitucionalista André Marsiglia também criticou a medida e afirmou que Moraes teria criado uma espécie de bloqueio indireto à aplicação prática da nova lei.

“É como se a lei permanecesse vigente na teoria, mas não na prática”, declarou.

A Lei da Dosimetria alterou critérios relacionados às penas impostas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e abriu caminho para pedidos de revisão criminal apresentados por investigados e condenados, incluindo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O tema deve seguir no centro do debate jurídico e político nas próximas semanas, enquanto o STF analisa as ações que tentam derrubar a nova legislação.

 

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