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Governo critica proposta dos EUA de ampliar tarifas sobre produtos brasileiros

Governo critica proposta dos EUA de ampliar tarifas sobre produtos brasileiros

Planalto contesta conclusões de investigação americana sobre trabalho forçado e estuda medidas de resposta

Por: Redação

03/06/2026 às 19:39

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O governo federal manifestou nesta quarta-feira (3) oposição à proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de até 12,5% sobre produtos brasileiros. A medida foi sugerida após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.

Em nota oficial, o Palácio do Planalto afirmou discordar das conclusões apresentadas pelo governo norte-americano e criticou o uso do tema do trabalho forçado como justificativa para a adoção de novas barreiras comerciais.

“É um absurdo tentar associar a competitividade da economia brasileira a insumos externos obtidos por meio de comércio que viole a dignidade humana. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconhece há décadas o Brasil como referência internacional no combate ao trabalho forçado, graças à combinação de fiscalização, responsabilização, cooperação institucional e compromisso político”, declarou o governo.

O comunicado também menciona a possibilidade de utilização da Lei da Reciprocidade Econômica como instrumento de resposta caso as medidas avancem e sejam efetivamente implementadas pelos Estados Unidos.

A nova tarifa proposta de 12,5% soma-se a outra recomendação apresentada nesta semana, que prevê uma taxa adicional de 25% sobre importações brasileiras sob alegação de práticas comerciais consideradas “irrazoáveis” pelo governo americano. As propostas ainda dependem de análise e decisão final do presidente Donald Trump.

 

Investigação cita falhas no combate ao trabalho forçado

O relatório divulgado pelo USTR concluiu que o Brasil não teria adotado medidas suficientes para impedir a entrada e comercialização de produtos ligados ao trabalho forçado, o que, segundo o órgão, poderia gerar concorrência desleal no mercado internacional.

A investigação envolveu 60 países e analisou possíveis falhas nos mecanismos de fiscalização e controle relacionados à cadeia produtiva de diferentes setores econômicos.

Entre os pontos destacados pelo relatório está a alegação de ocorrência de trabalho forçado na cadeia da pecuária brasileira. O documento cita produtores rurais incluídos na chamada Lista Suja do Trabalho Escravo e aponta que grande parte das exportações brasileiras de carne bovina congelada teve como destino países também investigados pelos Estados Unidos.

Em resposta, o governo brasileiro reiterou que o país possui instrumentos reconhecidos internacionalmente para combater o trabalho análogo à escravidão e afirmou que continuará atuando para evitar impactos sobre a economia nacional.

“O Governo reafirma a expectativa de que as recomendações preliminares do USTR não se convertam em tarifas efetivas e reitera que adotará medidas para reduzir os danos que venham a ser causados à economia, aos empregos e à renda dos brasileiros”, conclui a nota oficial.

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