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INSS admite não conseguir calcular prejuízo de fraudes ligadas ao Banco Master
INSS admite não conseguir calcular prejuízo de fraudes ligadas ao Banco Master
Auditorias apontam mais de 250 mil contratos com indícios de irregularidades, mas impasse dificulta ressarcimento de aposentados e pensionistas
Por: Redação
04/06/2026 às 10:16

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) informou ao Ministério Público Federal que ainda não possui elementos suficientes para calcular os prejuízos causados por supostas fraudes em contratos de crédito consignado vinculados ao Banco Master. A posição do órgão ocorre apesar de auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) e do próprio instituto terem identificado centenas de milhares de operações com indícios de irregularidades.
Segundo os levantamentos, a CGU encontrou 96,6 mil contratos validados pelo Banco Master entre 2023 e 2025 sem reconhecimento biométrico considerado adequado, número que representa 62,4% das operações analisadas no período. Outra auditoria apontou ainda 155,1 mil contratos firmados entre 2021 e 2023 sem o envio da documentação obrigatória ao INSS, o equivalente a 84,3% das operações avaliadas. O próprio instituto reconheceu falhas relevantes em mais de 250 mil contratos de crédito consignado.
A indefinição sobre o tamanho do prejuízo tem travado negociações conduzidas pela Procuradoria da República no Distrito Federal para buscar o ressarcimento de aposentados e pensionistas que possam ter sido prejudicados. A proposta discutida previa que o INSS identificasse os danos financeiros enquanto a Defensoria Pública da União atuaria na cobrança dos valores.
O instituto, porém, argumentou que não possui competência legal para representar beneficiários nem para cobrar recursos em nome de terceiros. Também informou que não pretende habilitar créditos dos aposentados na liquidação do Banco Master, aumentando a incerteza sobre uma eventual reparação financeira.
As investigações concentram-se principalmente no CredCesta, produto de crédito consignado que registrou forte expansão nos últimos anos. Dados do INSS mostram que o número de contratos vinculados ao programa saltou de 104,8 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024, crescimento superior a 2.500%. Documentos internos do órgão apontam um “padrão de desconformidades” e riscos para os beneficiários envolvidos.
O INSS afirma que a apuração administrativa ainda está em andamento e que os indícios identificados pela CGU continuam sendo analisados. Paralelamente, a Procuradoria da República solicitou à presidente do instituto, Ana Cristina Viana, uma relação detalhada dos beneficiários e dos contratos considerados inválidos. Já a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro sustenta que o Banco Master seguiu as normas e procedimentos estabelecidos pelo próprio INSS.
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