Governo Trump cobra ação mais dura contra PCC e CV no Brasil
Porta-voz do Departamento de Estado afirma que facções já atuam em 12 estados americanos e defende endurecimento do combate ao crime organizado
Por: Redação
04/06/2026 às 10:49
Foto: Reprodução
O governo dos Estados Unidos elevou o tom contra as principais organizações criminosas brasileiras e defendeu uma postura mais rigorosa do Brasil no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). A cobrança foi feita por Amanda Roberson, porta-voz em português do Departamento de Estado norte-americano, em entrevista à Gazeta do Povo.
A declaração ocorre após Washington oficializar a inclusão das duas facções na lista de organizações terroristas, medida que passa a vigorar nesta sexta-feira (5). Segundo o governo do presidente Donald Trump, a decisão faz parte da estratégia de fortalecimento da segurança interna e combate ao crime organizado transnacional.
De acordo com autoridades americanas, investigações identificaram a atuação do PCC e do Comando Vermelho em 12 estados dos Estados Unidos, o equivalente a cerca de um quarto do território norte-americano.
Amanda Roberson citou como exemplo a prisão recente de 18 brasileiros em situação irregular no estado de Massachusetts. Segundo as autoridades, o grupo integrava uma rede de tráfico de fentanil e comércio ilegal de armas vinculada ao PCC. As operações também alcançariam estados como Nova York, Nova Jersey e Flórida.
Com a nova classificação, os Estados Unidos passam a adotar medidas mais severas contra integrantes e colaboradores das organizações. Entre elas estão o bloqueio de ativos financeiros em território americano, cancelamento de vistos, facilitação de deportações e proibição de transações comerciais. A legislação norte-americana também passa a criminalizar qualquer tipo de apoio financeiro, tecnológico ou logístico aos grupos enquadrados como terroristas.
Apesar das divergências diplomáticas, Washington afirmou que mantém cooperação ativa com o Brasil na área de segurança pública. Segundo a porta-voz, atualmente nove agências de inteligência dos Estados Unidos atuam em parceria com forças brasileiras no compartilhamento de informações e no combate ao crime organizado.
O governo Lula reagiu à medida ressaltando a defesa da soberania nacional e criticando possíveis interferências externas em assuntos internos do país. Também houve críticas às agendas internacionais da família Bolsonaro relacionadas ao tema. Em resposta, Amanda Roberson afirmou que a prioridade da administração Trump é colocar a segurança nacional dos Estados Unidos em primeiro lugar.
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