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Governo Lula mantém sob sigilo registros de acesso de amiga de Lulinha ao Palácio da Alvorada

Governo Lula mantém sob sigilo registros de acesso de amiga de Lulinha ao Palácio da Alvorada

Por: Redação

28/09/2026 às 11:06

Imagem de Governo Lula mantém sob sigilo registros de acesso de amiga de Lulinha ao Palácio da Alvorada

Foto: Reprodução

O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) recusou-se a divulgar os registros de entrada e saída da lobista Roberta Luchsinger no Palácio da Alvorada durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

As informações foram solicitadas por meio da Lei de Acesso à Informação e abrangiam o período entre janeiro de 2023 e setembro de 2026. Na resposta, o GSI não esclareceu se existem registros de visitas de Roberta à residência oficial do presidente.

O órgão alegou que a divulgação dos dados poderia gerar riscos “à segurança de instituições ou altas autoridades nacionais ou estrangeiras e seus familiares”. Também não informou por quanto tempo os documentos permanecerão protegidos.

Segundo o GSI, registros de acesso a residências oficiais podem revelar aspectos da intimidade e da vida privada do presidente e de seus familiares. A exceção ocorreria quando a visita estivesse relacionada a uma agenda oficial ou envolvesse representantes de interesses privados em atuação formal perante o poder público. goias246.com.br

Mensagens citam residência de Lula

A negativa ocorre após a divulgação de mensagens atribuídas a Roberta nas quais ela afirmava frequentar locais ligados ao presidente.

Em uma conversa de outubro de 2023, a lobista disse a um interlocutor que ainda estava na “casa do pai do Fábio”. A expressão “pai do Fábio” era utilizada por ela em outras mensagens como referência a Lula.

Em outro diálogo, de junho de 2025, Roberta afirmou estar no Palácio do Planalto, na “sala do pai do Fábio”. As conversas foram encontradas em seu celular e integram investigações conduzidas pela Polícia Federal.

O governo nega que Roberta tenha mantido reuniões ou encontros com Lula no Palácio do Planalto ou no Alvorada. A Presidência também afirma que o petista não mantém relação ou interlocução com a lobista.

Em entrevista concedida em agosto, Lula declarou que nunca havia conversado com Roberta e chegou a chamá-la de “pilantra”. Após a declaração, voltaram a circular fotografias antigas nas quais os dois aparecem no mesmo ambiente durante eventos políticos e sociais.

As imagens, isoladamente, não comprovam a existência de relação profissional, encontro particular ou participação de Roberta em decisões do governo.

Relação com Lulinha é investigada

Roberta é apontada como amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. Ela aparece em investigações que apuram suspeitas de tráfico de influência e intermediação de interesses empresariais junto ao governo federal.

Dados obtidos anteriormente por meio da Lei de Acesso à Informação indicam que a lobista realizou ao menos 42 visitas a órgãos do governo entre janeiro de 2023 e abril de 2024. Desse total, 41 não teriam sido registradas nas agendas oficiais das autoridades visitadas.

As apurações também analisam mensagens nas quais Roberta apresentava Lulinha como seu sócio e mencionava negociações envolvendo empresas interessadas em contratos com órgãos públicos. Os investigados negam irregularidades, e as suspeitas ainda não representam uma conclusão definitiva sobre responsabilidade criminal. gazetadopovo.com.br

Tratamento diferente no início do mandato

A decisão do GSI contrasta com uma medida adotada no início do terceiro mandato de Lula. Em janeiro de 2023, o governo retirou a restrição imposta durante a gestão Jair Bolsonaro e divulgou centenas de registros de pessoas que haviam visitado a então primeira-dama Michelle Bolsonaro no Palácio da Alvorada.

Meses depois, o governo passou a negar pedidos sobre visitantes da residência oficial, utilizando como justificativa a segurança e a preservação da intimidade do presidente e de seus familiares.

Outros órgãos apresentaram respostas diferentes a pedidos relacionados a Roberta. O Ministério da Previdência Social e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária informaram que fizeram buscas e não localizaram registros de entrada da lobista no período solicitado.

No caso do Alvorada, entretanto, o GSI não informou se encontrou ou não o nome de Roberta em seus bancos de dados, limitando-se a negar o acesso às informações.

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