Governo Lula sinaliza rejeição a conselho internacional proposto por Trump
Planalto avalia que iniciativa dos Estados Unidos contorna a ONU e representa tentativa unilateral de redefinir a governança global
Por: Redação
24/01/2026 às 11:22

Foto: Ricardo Stucket/PR
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou que não pretende aderir ao chamado Conselho da Paz, proposta apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o objetivo declarado de atuar na mediação de conflitos internacionais. A sinalização partiu de integrantes do Palácio do Planalto e foi explicitada em declarações do assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim.
Segundo Amorim, o convite feito ao Brasil é visto com reservas por não estar ancorado no sistema multilateral tradicional, em especial na Organização das Nações Unidas (ONU). Para o assessor, qualquer iniciativa voltada à promoção da paz e à resolução de conflitos deveria nascer de deliberação formal no âmbito das Nações Unidas, e não de arranjos paralelos liderados por um único país.
Em entrevista ao jornal O Globo, Amorim afirmou que o documento enviado pelos Estados Unidos apresenta conceitos imprecisos e amplia excessivamente o escopo de atuação do conselho, sem definir critérios claros. Na avaliação dele, a proposta acaba funcionando, na prática, como um esvaziamento do papel da ONU na área de paz e segurança internacional.
O presidente Lula ainda não formalizou uma decisão sobre o convite, mas interlocutores do governo relatam desconforto com a ausência de consulta às populações diretamente afetadas pelos conflitos que poderiam ser tratados pelo novo órgão. Em discurso recente, Lula criticou o que chamou de avanço de iniciativas unilaterais no cenário global e voltou a defender o fortalecimento do multilateralismo e a reforma do Conselho de Segurança da ONU.
Durante o evento de lançamento do Conselho da Paz, realizado no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Trump apresentou a proposta como uma alternativa para acelerar negociações em zonas de conflito, inicialmente com foco na Faixa de Gaza, mas posteriormente ampliada para outras regiões. De acordo com a minuta do projeto, o presidente norte-americano ocuparia a presidência do conselho por tempo indeterminado, e os países-membros teriam mandatos renováveis mediante contribuição financeira elevada.
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