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Governo Lula vê impacto econômico em decisão dos EUA sobre PCC e Comando Vermelho

Governo Lula vê impacto econômico em decisão dos EUA sobre PCC e Comando Vermelho

Planalto considera improvável reverter classificação das facções como organizações terroristas e monitora possíveis reflexos no mercado

Por: Redação

03/06/2026 às 19:16

Imagem de Governo Lula vê impacto econômico em decisão dos EUA sobre PCC e Comando Vermelho

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que será difícil reverter, ao menos no curto prazo, a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A percepção dentro do Palácio do Planalto é de que a medida possui forte componente político, o que reduz as chances de uma revisão imediata por parte da administração norte-americana.

Integrantes do governo também consideram improvável que a decisão resulte em ações diretas dos Estados Unidos em território brasileiro. Segundo interlocutores do presidente, não há expectativa de medidas como intervenções ou operações de segurança envolvendo o país.

A principal preocupação do Planalto está concentrada nos possíveis efeitos econômicos da medida. Auxiliares do governo avaliam que a classificação das facções pode afetar a percepção de investidores estrangeiros sobre o Brasil e gerar impactos indiretos no sistema financeiro, incluindo mecanismos de pagamento amplamente utilizados no país.

A partir desta sexta-feira (5), PCC e Comando Vermelho passarão a integrar oficialmente a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) e também a categoria de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT), conforme decisão anunciada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. A medida amplia o alcance das sanções americanas e enquadra as facções brasileiras em categoria semelhante à aplicada a cartéis internacionais e outros grupos criminosos transnacionais.

Segundo informações atribuídas a autoridades americanas, pessoas físicas e empresas que mantenham relações financeiras ou ofereçam apoio material a integrantes dessas organizações poderão ser alvo de sanções, restrições migratórias e até responsabilização criminal sob a legislação dos Estados Unidos.

A decisão foi anunciada poucos dias após um encontro entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Donald Trump na Casa Branca. Durante a reunião, o parlamentar brasileiro defendeu a classificação das facções como organizações terroristas.

Após o anúncio, Lula manifestou preocupação com os possíveis desdobramentos da medida e voltou a defender o fortalecimento da cooperação bilateral no combate ao crime organizado. O governo brasileiro sustenta que a parceria entre os dois países em áreas de inteligência e segurança pública pode produzir resultados mais efetivos sem a necessidade de ações unilaterais.

Nos bastidores do governo, a avaliação é que a medida pode abrir espaço para novas pressões internacionais relacionadas a temas considerados de competência interna do Brasil. Por isso, integrantes da administração federal defendem que o enfrentamento ao crime organizado seja conduzido com respeito à soberania nacional e aos mecanismos de cooperação já existentes entre os dois países.

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