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Hugo Motta rompe com líder do PT e crise entre Câmara e Planalto se aprofunda

Hugo Motta rompe com líder do PT e crise entre Câmara e Planalto se aprofunda

Escalada de ataques envolvendo o PL Antifacção expõe desgaste entre governo Lula e comando da Câmara; Senado também vive ruptura após indicação de Messias ao STF

Por: Redação

24/11/2025 às 21:56

Imagem de Hugo Motta rompe com líder do PT e crise entre Câmara e Planalto se aprofunda

Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou ao Metrópoles, nesta segunda-feira (24), que rompeu relações com o líder do PT na Casa, Lindbergh Farias (PT-RJ). A decisão marca o ponto mais crítico de uma escalada de atritos que começou há meses e atingiu o ápice durante a tramitação do PL Antifacção.

Segundo o presidente da Câmara, não há mais interlocução possível com o petista. Pessoas próximas relatam que Motta deixou de acolher qualquer iniciativa vinda de Lindbergh.

O conflito ganhou intensidade quando Motta escolheu o deputado Guilherme Derrite (PL-SP) — ex-secretário de segurança de São Paulo — para relatar o PL Antifacção. A escolha desagradou profundamente o governo Lula, que esperava um nome politicamente neutro ou alinhado ao Planalto.

Lindbergh reagiu com entrevistas sucessivas atacando Motta. Em uma delas, afirmou:

“Ele conseguiu fazer uma lambança em um tema muito importante […] Primeiro pela escolha do relator, porque é um projeto de autoria do Executivo. A gente não estava exigindo um relator do PT; tinha que ser alguém neutro.”

A avaliação no entorno de Motta é de que Lindbergh ultrapassou limites e rompeu o diálogo institucional.

A crise já vinha se formando. Em outubro, durante evento público com Motta no palco, o presidente Lula afirmou que o Congresso Nacional nunca teve “tão baixo nível como agora”. A fala desagradou líderes partidários e reforçou a percepção de distanciamento entre o Planalto e o Legislativo.

Aliados de Motta afirmam que a crítica pública do presidente foi vista como “gratuita e desnecessária”.

O clima tensou ainda mais no Congresso quando, na última semana, o presidente Lula indicou Jorge Messias (AGU) para o Supremo Tribunal Federal.

A escolha irritou profundamente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que defendia a nomeação de Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Desde então, Alcolumbre está sem falar com ninguém do governo.

Em reação direta ao Planalto, o senador anunciou — no mesmo dia da indicação — a decisão de pautar um projeto contrário aos interesses do governo, que regulamenta aposentadorias especiais para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias.

A movimentação foi lida como resposta política imediata e sinal de que o Senado também entrou em rota de colisão com o Planalto.

Com o presidente da Câmara afastado, o líder do PT isolado e o presidente do Senado rompido com o Planalto, o governo Lula vive seu pior momento de articulação política desde o início da gestão.

Aliados admitem que será necessário montar uma operação emergencial para conter danos e garantir a aprovação de pautas mínimas nas próximas semanas.

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