O Instituto Gritos de Liberdade (IGL) protocolou nesta quinta-feira (10) uma representação na Corregedoria-Geral da Polícia Federal (PF) para solicitar uma investigação sobre possíveis vínculos entre o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A entidade representa familiares de pessoas presas após os atos de 8 de janeiro.
O pedido busca esclarecer a participação de Rodrigues em viagens e eventos relacionados a Vorcaro, além de verificar quem teria arcado com eventuais despesas. A representação também solicita a apuração de possíveis interferências do diretor-geral em procedimentos envolvendo o antigo Banco Master.
Viagem a Londres entra na representação
Um dos episódios citados é a participação de Andrei Rodrigues no Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado em Londres, em abril de 2024, com patrocínio do Banco Master.
O IGL pede que sejam levantados documentos referentes a passagens aéreas, hospedagem, alimentação, transporte e demais despesas relacionadas à viagem, inclusive aquelas eventualmente custeadas para acompanhantes.
A representação menciona ainda um relatório da própria PF elaborado a partir de dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro. Segundo o documento, uma pessoa que se identificou como assistente de Rodrigues teria procurado os organizadores do evento para saber quem pagaria os custos da viagem. A resposta registrada no relatório foi de que “todas as despesas” seriam assumidas pelos responsáveis pelo evento.
O instituto também quer esclarecer informações sobre encontros envolvendo charutos, convites para corridas de Fórmula 1, fornecimento de ingressos e participação de familiares em eventos relacionados ao banco.
Relatos sobre proximidade são divergentes
A representação cita ainda um depoimento prestado por Vorcaro em 27 de agosto a um juiz auxiliar do gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Conforme o documento apresentado pelo IGL, o empresário descreveu sua relação com Andrei como “cordial” e mencionou viagens e atividades sociais. A versão é diferente da atribuída ao diretor-geral da PF, que teria afirmado a interlocutores ter encontrado Vorcaro apenas uma vez.
Diante da divergência, o instituto solicita que agendas, comprovantes e outros registros sejam analisados e que Rodrigues e Vorcaro sejam ouvidos separadamente sobre datas, locais, finalidade e custeio dos encontros.
Mensagens também serão analisadas
Outro ponto da representação envolve mensagens nas quais Vorcaro teria mencionado os nomes “Andrei” e “Paulo” ao tratar de possíveis medidas relacionadas ao Banco Master.
De acordo com o documento, o relatório policial apontou que as referências poderiam estar relacionadas a Andrei Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. O IGL pede que a Corregedoria verifique se o diretor da PF tinha conhecimento dessas solicitações.
A própria representação, entretanto, ressalva que as mensagens, isoladamente, não comprovam que Rodrigues tenha recebido os pedidos ou tomado alguma providência em relação a eles. O instituto também solicita a análise de propostas de colaboração apresentadas por Vorcaro e dos motivos para eventuais recusas, além da participação de Rodrigues nesses procedimentos.
Documento usado em investigação contra Mendonça
A entidade incluiu ainda um pedido para investigar a origem e a circulação de um documento interno atribuído à Polícia Federal. Segundo a representação, o material teria sido utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes para solicitar uma investigação contra André Mendonça.
O IGL quer identificar quem produziu o documento, qual unidade da PF foi responsável e como o material chegou ao magistrado.
A representação agora será analisada pela Corregedoria-Geral da Polícia Federal, que poderá avaliar a abertura de procedimentos para verificar os fatos apontados pelo instituto.