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Instituto pede investigação sobre possível relação entre diretor da PF e Daniel Vorcaro

Instituto pede investigação sobre possível relação entre diretor da PF e Daniel Vorcaro

Representação à Corregedoria da Polícia Federal solicita apuração sobre viagens, eventos, benefícios e eventual interferência em procedimentos ligados ao Banco Master

Por: Redação

11/09/2026 às 07:27

Imagem de Instituto pede investigação sobre possível relação entre diretor da PF e Daniel Vorcaro

Foto: Divulgação

O Instituto Gritos de Liberdade (IGL) protocolou nesta quinta-feira (10) uma representação na Corregedoria-Geral da Polícia Federal (PF) para solicitar uma investigação sobre possíveis vínculos entre o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A entidade representa familiares de pessoas presas após os atos de 8 de janeiro.

O pedido busca esclarecer a participação de Rodrigues em viagens e eventos relacionados a Vorcaro, além de verificar quem teria arcado com eventuais despesas. A representação também solicita a apuração de possíveis interferências do diretor-geral em procedimentos envolvendo o antigo Banco Master.

Viagem a Londres entra na representação

Um dos episódios citados é a participação de Andrei Rodrigues no Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado em Londres, em abril de 2024, com patrocínio do Banco Master.

O IGL pede que sejam levantados documentos referentes a passagens aéreas, hospedagem, alimentação, transporte e demais despesas relacionadas à viagem, inclusive aquelas eventualmente custeadas para acompanhantes.

A representação menciona ainda um relatório da própria PF elaborado a partir de dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro. Segundo o documento, uma pessoa que se identificou como assistente de Rodrigues teria procurado os organizadores do evento para saber quem pagaria os custos da viagem. A resposta registrada no relatório foi de que “todas as despesas” seriam assumidas pelos responsáveis pelo evento.

O instituto também quer esclarecer informações sobre encontros envolvendo charutos, convites para corridas de Fórmula 1, fornecimento de ingressos e participação de familiares em eventos relacionados ao banco.

 

Relatos sobre proximidade são divergentes

A representação cita ainda um depoimento prestado por Vorcaro em 27 de agosto a um juiz auxiliar do gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Conforme o documento apresentado pelo IGL, o empresário descreveu sua relação com Andrei como “cordial” e mencionou viagens e atividades sociais. A versão é diferente da atribuída ao diretor-geral da PF, que teria afirmado a interlocutores ter encontrado Vorcaro apenas uma vez.

Diante da divergência, o instituto solicita que agendas, comprovantes e outros registros sejam analisados e que Rodrigues e Vorcaro sejam ouvidos separadamente sobre datas, locais, finalidade e custeio dos encontros.

 

Mensagens também serão analisadas

Outro ponto da representação envolve mensagens nas quais Vorcaro teria mencionado os nomes “Andrei” e “Paulo” ao tratar de possíveis medidas relacionadas ao Banco Master.

De acordo com o documento, o relatório policial apontou que as referências poderiam estar relacionadas a Andrei Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. O IGL pede que a Corregedoria verifique se o diretor da PF tinha conhecimento dessas solicitações.

A própria representação, entretanto, ressalva que as mensagens, isoladamente, não comprovam que Rodrigues tenha recebido os pedidos ou tomado alguma providência em relação a eles. O instituto também solicita a análise de propostas de colaboração apresentadas por Vorcaro e dos motivos para eventuais recusas, além da participação de Rodrigues nesses procedimentos.

 

Documento usado em investigação contra Mendonça

A entidade incluiu ainda um pedido para investigar a origem e a circulação de um documento interno atribuído à Polícia Federal. Segundo a representação, o material teria sido utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes para solicitar uma investigação contra André Mendonça.

O IGL quer identificar quem produziu o documento, qual unidade da PF foi responsável e como o material chegou ao magistrado.

A representação agora será analisada pela Corregedoria-Geral da Polícia Federal, que poderá avaliar a abertura de procedimentos para verificar os fatos apontados pelo instituto.

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