Jairinho é condenado a mais de 43 anos de prisão pela morte de Henry Borel
Júri reconhece homicídio qualificado, tortura e coação; Monique Medeiros tem acusação de homicídio doloso desclassificada
Por: Redação
04/06/2026 às 09:21

Foto: Reprodução
O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, foi condenado pelo Tribunal do Júri do Rio de Janeiro a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pela morte de Henry Borel. A decisão foi anunciada na madrugada desta quinta-feira (4), após dez dias de julgamento considerados entre os mais longos da história recente do Judiciário fluminense.
Os jurados reconheceram a culpa de Jairinho pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, prática de tortura e coação no curso do processo. Além da pena de prisão, ele foi condenado ao pagamento de R$ 400 mil por danos morais ao pai do menino, Leniel Borel.
Jairinho também respondia a outras acusações de tortura, mas foi absolvido em dois desses episódios específicos.
Já Monique Medeiros, mãe de Henry, teve a acusação de homicídio doloso desclassificada para homicídio culposo, quando não há intenção de matar. O Conselho de Sentença também a condenou por omissão diante das torturas sofridas pelo filho.
A Justiça concedeu perdão judicial a Monique em relação ao crime de homicídio. Pela condenação por omissão, a pena foi fixada em 1 ano e 4 meses de prisão. Como ela já havia cumprido período superior em prisão preventiva, a punição foi considerada extinta.
Julgamento reuniu dezenas de testemunhas
Ao longo das dez sessões do júri, foram ouvidos investigadores, médicos, peritos, familiares, testemunhas ligadas ao caso e ex-companheiras de Jairinho.
Durante seu depoimento, Monique Medeiros apresentou uma nova versão dos acontecimentos e afirmou acreditar que o ex-vereador foi o responsável pela morte de Henry.
Jairinho, por sua vez, negou qualquer agressão contra crianças ou mulheres. A pedido da defesa, ele optou por não responder aos questionamentos feitos pela acusação e pela magistrada responsável pelo julgamento.
Nas alegações finais, o Ministério Público sustentou que o ex-vereador mantinha um histórico de comportamento violento. O promotor Fábio Vieira afirmou que Jairinho agia de forma recorrente contra pessoas em situação de vulnerabilidade e atribuiu a ele a responsabilidade pela morte da criança.
Caso mobilizou o país
Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, aos 4 anos de idade, em um apartamento localizado em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Na ocasião, Jairinho e Monique levaram a criança a uma unidade hospitalar alegando que ela havia sofrido um acidente doméstico. Exames realizados posteriormente apontaram múltiplas lesões internas e externas incompatíveis com a versão apresentada inicialmente.
Laudos do Instituto Médico-Legal indicaram que Henry sofreu diversas agressões antes de morrer, incluindo lesões em órgãos internos, hemorragia e laceração hepática.
Jairinho e Monique estão presos desde abril de 2021. A decisão do júri ainda pode ser contestada por meio de recursos nas instâncias superiores.
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