Jaques Wagner pediu emprego para Guido Mantega no Master
Ex-ministro da Fazenda atuou como consultor do banco a pedido de Jaques Wagner enquanto instituição mantinha interlocução com o governo; pagamentos podem ter superado R$ 11 milhões antes da liquidação
Por: Redação
24/01/2026 às 12:12

Foto: Agência Brasil
O Banco Master contratou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega após uma articulação política conduzida pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Segundo integrantes da instituição financeira ouvidos pela coluna, a remuneração de Mantega teria sido de R$ 1 milhão por mês.
A revelação ocorre em meio ao endurecimento do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra o banco. Em evento realizado em Maceió (AL), nesta sexta-feira (23.jan.2026), Lula acusou o controlador da instituição, Daniel Vorcaro, de promover um “golpe de mais de R$ 40 bilhões”. Sem citá-lo nominalmente, o presidente afirmou que “falta vergonha na cara” de quem defende o empresário. O tom público contrasta com a relação de proximidade que o banco manteve, até recentemente, com quadros ligados ao núcleo petista.
Mantega passou a atuar no Master após o governo Lula desistir de indicá-lo para o conselho de administração da Vale. À época, a possível indicação enfrentou resistência no mercado, sob o argumento de que representaria interferência política indevida em uma companhia privada — ainda que o governo detenha influência indireta por meio de concessões públicas e da participação de fundos de pensão estatais.
Pessoas próximas ao presidente relatam que Lula se considerava em dívida com Mantega por sua lealdade durante a Operação Lava Jato, em contraste com outros ex-aliados, como Antonio Palocci, que firmou acordo de delação premiada.
No Banco Master, a missão de Mantega teria sido facilitar a negociação de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). O ex-ministro prestou consultoria ao banco até poucas semanas antes de o Banco Central do Brasil decretar a liquidação da instituição, em novembro do ano passado. Considerando o período de atuação, os pagamentos ao ex-ministro podem ter alcançado, no mínimo, R$ 11 milhões.
Dentro do Master, a interlocução política de Jaques Wagner não se dava diretamente com Vorcaro, mas com o sócio Augusto Lima, ex-CEO do banco e aliado político na Bahia. Lima também é próximo do ministro da Casa Civil, Rui Costa, que esteve no palanque do evento em que Lula fez críticas públicas à defesa do banco.
Durante o período em que atuava como consultor do Master, Mantega esteve ao menos quatro vezes no Palácio do Planalto. Em todas as ocasiões, foi recebido pelo chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.
Os registros oficiais indicam encontros em 22 de janeiro, 1º de abril, 29 de outubro e 4 de dezembro de 2024. As agendas descrevem os compromissos apenas como “encaminhamento de pauta” e identificam Mantega como “ex-ministro do Ministério da Fazenda”, sem menção ao Banco Master. As informações foram compiladas a partir da ferramenta Agenda Transparente, da ONG Fiquem Sabendo.
Em agosto de 2025, o colunista Lauro Jardim informou que Mantega intermediou uma reunião entre Lula e Vorcaro em 2024, compromisso que não consta nas agendas públicas — uma omissão que, segundo fontes do próprio governo, não é incomum.
Procurado, Daniel Vorcaro optou por não comentar.
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