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Jurista defende sessão pública do STF em julgamento envolvendo Moraes

Jurista defende sessão pública do STF em julgamento envolvendo Moraes

Para Ludmila Lins Grilo, eventual restrição ao acesso público poderia comprometer a transparência da análise sobre as conversas entre o ministro e Daniel Vorcaro

Por: Redação

11/09/2026 às 11:24

Imagem de Jurista defende sessão pública do STF em julgamento envolvendo Moraes

Foto: Victor Piemonte/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) deverá definir na próxima terça-feira (15) como será realizada a sessão que analisará o relatório da Polícia Federal relacionado ao ministro Alexandre de Moraes e às conversas mantidas por ele com o empresário Daniel Vorcaro. A jurista Ludmila Lins Grilo defende que a reunião seja aberta ao público e transmitida pela TV Justiça.

A discussão ocorre depois de o presidente do STF, Edson Fachin, tornar públicos os relatórios policiais relacionados ao caso. O plenário terá de decidir se a análise será realizada de forma aberta ou sob sigilo.

Uma das possibilidades apontadas no material é o uso do artigo 124 do Regimento Interno do STF, que permite ao plenário deliberar sobre o caráter reservado de determinadas reuniões. A possibilidade de uma sessão fechada tem provocado questionamentos justamente porque os documentos que serão analisados já foram divulgados.

 

Constituição prevê publicidade dos atos judiciais

Ludmila Lins Grilo argumenta que a regra geral prevista na Constituição é a publicidade dos atos do Judiciário. Ela cita o artigo 93 da Constituição Federal e considera que uma eventual restrição à participação pública poderia aumentar a desconfiança em relação à Corte.

“O fechamento das portas em julgamentos de membros da alta cúpula fomenta a desconfiança social e afronta a transparência e a impessoalidade”, afirmou a jurista.

Segundo ela, não haveria justificativa legal para impedir o acompanhamento público do debate após a divulgação dos documentos que integram o caso. Para a especialista, a possibilidade de acompanhamento pela sociedade teria relevância ainda maior diante das críticas direcionadas ao STF.

 

Caso tem caráter inédito na história do STF

O tribunal deverá analisar um relatório de 218 páginas elaborado pela Polícia Federal, solicitado pelo ministro André Mendonça. Conforme o material, trata-se de uma situação sem precedente nos 135 anos de história do STF: a abertura de uma investigação criminal envolvendo um integrante da própria Corte.

A discussão também envolve a interpretação das regras internas do Supremo. Segundo o texto, a previsão de reuniões secretas é tradicionalmente associada a processos de suspeição, como ocorreu no julgamento envolvendo o ministro Dias Toffoli em fevereiro.

No caso de Moraes, porém, a análise trata da possibilidade de abertura de um inquérito penal, o que coloca em debate a aplicação dessa regra ao procedimento atual.

A decisão sobre o formato da sessão será tomada pelo plenário na próxima terça-feira (15) e poderá estabelecer como os ministros irão analisar os elementos reunidos pela Polícia Federal.

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