Vorcaro relata ameaças e pressão durante prisão em depoimento ao STF
Ex-dono do Banco Master afirmou ter sofrido tortura psicológica e ameaças contra a família; PF e PGR contestam relato e dizem que ele não apresentou elementos concretos sobre supostos maus-tratos
Por: Redação
03/09/2026 às 16:18

Foto: Reprodução/PF
O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou ter sido alvo de ameaças de morte, maus-tratos e pressão psicológica durante o período em que esteve preso. O relato foi apresentado em depoimento a um juiz auxiliar do gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A oitiva ocorreu a pedido da defesa de Vorcaro, que havia relatado ao gabinete de Mendonça a existência de “graves intimidações” e solicitado que o empresário fosse ouvido com urgência. Um procurador da República participou do depoimento, realizado sem a presença de representantes da Polícia Federal (PF).
De acordo com Vorcaro, as supostas ameaças teriam como objetivo dificultar uma eventual negociação de acordo de delação premiada. Ele também afirmou que parte das intimidações teria sido direcionada à sua mãe, que é idosa, por meio de mensagens enviadas por e-mail.
O empresário relatou ainda que agentes responsáveis por sua escolta teriam dito que ele permaneceria preso por tempo indeterminado caso comentasse sobre o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Durante o depoimento, Vorcaro afirmou que teve os olhos vendados durante uma transferência entre unidades prisionais e que enfrentou calor dentro de um camburão. Ele chegou a comparar a situação vivida durante a prisão à captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
PF e PGR contestam acusações
A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmam que Vorcaro não apresentou fatos concretos capazes de comprovar os supostos maus-tratos.
As instituições também avaliam que o ex-banqueiro poderia estar tentando criar condições mais favoráveis para retomar uma negociação de colaboração premiada. Vorcaro, por sua vez, declarou acreditar que três tentativas anteriores de negociação foram recusadas porque uma eventual delação poderia envolver Andrei Rodrigues.
Interlocutores do diretor-geral da PF negam que ele tenha mantido relação com Vorcaro. A versão apresentada é de que os dois teriam se encontrado apenas uma vez, de forma casual, durante um seminário jurídico realizado em Londres e patrocinado pelo Banco Master.
Mendonça confirma depoimento
André Mendonça confirmou que Vorcaro foi ouvido recentemente, com participação do Ministério Público e sem representantes da Polícia Federal. O ministro afirmou que a iniciativa partiu da defesa do empresário, diante das alegações de intimidação.
Mendonça classificou a oitiva como um “ato processual regular”, conduzido por um juiz auxiliar de seu gabinete.
O depoimento ocorre em meio às investigações envolvendo o Banco Master e às discussões sobre possíveis relações entre Vorcaro e autoridades públicas. As acusações apresentadas pelo ex-banqueiro ainda dependem de apuração e não foram confirmadas pelas autoridades responsáveis pelas investigações.
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