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Lula diz não interferir no STF, mas discurso reacende críticas sobre alinhamento entre Poderes

Lula diz não interferir no STF, mas discurso reacende críticas sobre alinhamento entre Poderes

Presidente afirma que Corte é “totalmente independente”, mesmo após sucessivas decisões de ministros indicados por seu governo em casos sensíveis

Por: Redação

16/12/2025 às 08:10

Imagem de Lula diz não interferir no STF, mas discurso reacende críticas sobre alinhamento entre Poderes

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não interfere nem pretende interferir nas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e disse que a Corte atua de forma “totalmente independente e autônoma”. A declaração foi dada em entrevista ao SBT News, concedida na sexta-feira (12) e exibida nesta segunda-feira (15), em meio à repercussão de uma operação da Polícia Federal (PF) autorizada por ministro indicado por ele ao Supremo.

A fala ocorreu após a PF cumprir mandados de busca e apreensão contra Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, funcionária da Câmara dos Deputados e ex-assessora do então presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL). A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, ex-ministro de Lula e indicado por ele ao STF.

Questionado sobre o caso, Lula afirmou que apenas o magistrado responsável pode opinar sobre a decisão, afastando qualquer responsabilidade do Executivo. “É um problema que só cabe ao ministro. O presidente da República não tem nem como dar opinião sobre isso”, declarou.

Para sustentar a tese de independência do Judiciário, Lula recorreu novamente à própria trajetória. “Quase todos os ministros do STF foram indicados por mim. Se eu tivesse interferência na Suprema Corte, eu teria ficado preso 580 dias?”, disse o presidente, ao mencionar o período em que esteve detido durante a Lava Jato.

Segundo Lula, a autonomia do Supremo é essencial para o funcionamento das instituições. “A verdade é que a Suprema Corte é totalmente independente e autônoma, e é bom que seja assim”, afirmou.

Apesar do discurso institucional, as declarações ocorrem em um contexto no qual decisões do STF têm impacto direto sobre adversários políticos do governo, enquanto aliados e integrantes da atual gestão frequentemente têm suas situações resolvidas de forma mais favorável — percepção que alimenta críticas sobre um alinhamento excessivo entre Executivo, Judiciário e órgãos de investigação.

O próprio presidente citou episódios de buscas realizadas em sua casa no passado, reclamando da condução das ações. “As pessoas se esquecem que foram fazer busca e apreensão na minha casa”, afirmou. Em seguida, criticou a falta de retratação quando nada é encontrado. “Quem foi fazer e não encontrou nada deveria ter tido coragem e dignidade de dizer que não encontrou nada”, disse.

Ao final, Lula defendeu o respeito mútuo entre os Poderes. “Eu respeito a decisão da Câmara, do Senado e da Suprema Corte, e quero que eles façam comigo o mesmo que eu faço com eles”, declarou.

Para críticos do governo, no entanto, o discurso de neutralidade contrasta com a prática política e com o protagonismo crescente do STF em temas que tradicionalmente caberiam ao Legislativo ou ao Executivo, muitas vezes beneficiando a agenda do Planalto. O episódio reforça o debate sobre freios e contrapesos e sobre até que ponto a independência entre os Poderes tem sido efetivamente preservada no Brasil.

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