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Lula reduz comitiva em viagem a Nova York diante de temores de constrangimento
Lula reduz comitiva em viagem a Nova York diante de temores de constrangimento
Petista corta presença de parlamentares e leva apenas ministros próximos; receio é de sanções e restrições do governo Trump
Por: Redação
16/09/2025 às 09:40
● Atualizado em 16/09/2025 às 09:41

Foto: ANGELA WEISS / AFP
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu enxugar a comitiva que o acompanhará a Nova York na próxima semana. O movimento reflete a preocupação do Planalto com eventuais constrangimentos diplomáticos impostos pelo governo de Donald Trump (Partido Republicano).
Diferentemente de anos anteriores, nenhum parlamentar integrará a delegação. Tradicionalmente, Lula levava deputados e senadores em viagens internacionais como forma de prestígio político e para conversas de bastidor. Desta vez, a ordem foi reduzir ao máximo o número de acompanhantes.
A ausência de congressistas também é atribuída à cautela das próprias lideranças do Legislativo. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), evitaram integrar a viagem para não transmitir alinhamento com o governo petista e, principalmente, para não se expor ao risco de punições pela chamada Lei Magnitsky.
Em 2024, o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), chegaram a acompanhar Lula na Assembleia Geral da ONU e se sentaram ao lado da primeira-dama Janja no plenário. O cenário atual, no entanto, mostra maior distanciamento institucional.
Segundo apuração, a comitiva confirmada até agora contará com os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Sonia Guajajara (Povos Indígenas), além da presidente do Banco do Brasil, Tarciana de Medeiros. Outros nomes aguardam ajustes de agenda.
Há ainda incertezas relacionadas à concessão de vistos. O Itamaraty informou nesta segunda-feira (15) que parte da delegação ainda não obteve autorização para entrar nos Estados Unidos, mas avalia que os pedidos seguem em processamento.
Um caso emblemático é o do ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT). Ele ainda não recebeu resposta da Embaixada americana. Padilha foi sancionado por Trump em agosto por seu papel no programa Mais Médicos, que durante o governo Dilma Rousseff trouxe profissionais cubanos ao Brasil. Como o ministro estava com visto vencido, a medida teve efeito restrito, mas atingiu diretamente sua esposa e filha, que tiveram as autorizações suspensas.
Lula embarca no sábado (20) e discursará na abertura da Assembleia Geral da ONU em 23 de setembro. A viagem ocorre em meio ao delicado equilíbrio entre a política externa do petista e as crescentes restrições vindas de Washington.
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