Lula tenta recompor apoio no Congresso às vésperas das eleições
Almoço com Hugo Motta e Davi Alcolumbre busca destravar pautas de interesse do governo, enquanto líderes avaliam impactos eleitorais e a disputa pelo comando do Senado em 2027
Por: Redação
27/08/2026 às 07:15

Foto: Reprodução
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu, na quarta-feira (26), os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, em um almoço no Palácio da Alvorada. A articulação ocorre a pouco mais de um mês do primeiro turno das eleições e busca retirar do papel projetos considerados estratégicos pelo governo.
Entre as propostas estão a PEC que altera a escala de trabalho 6x1, a PEC da Segurança Pública, o projeto sobre minerais críticos, o Redata e a medida provisória que prevê a retomada da isenção de impostos federais para compras internacionais de até US$ 50.
O movimento também marca uma tentativa de Lula recompor sua interlocução com o comando do Congresso, especialmente com Alcolumbre. A relação entre os dois ficou estremecida após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, episódio que aprofundou o distanciamento entre o Planalto e o presidente da Casa.
Reaproximação tem componente eleitoral
A retomada do diálogo ocorreu apenas no início de agosto, depois de um jantar promovido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Desde então, Lula e Alcolumbre voltaram a se reunir e passaram a avançar em pautas que estavam paradas no Senado.
O momento da articulação também chama atenção. O Congresso terá, entre 31 de agosto e 4 de setembro, uma semana de esforço concentrado, com sessões presenciais e votações antes da reta final das eleições.
Duas propostas com forte potencial de exploração eleitoral pelo governo — a redução da jornada 6x1 e a PEC da Segurança — estavam paradas no Senado. Os textos só começaram a avançar depois que Alcolumbre os encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O próprio cenário eleitoral influencia as negociações. Hugo Motta já declarou apoio à reeleição de Lula, embora seu partido, o Republicanos, tenha adotado posição de neutralidade na disputa presidencial.
Alcolumbre, por sua vez, articula sua permanência no comando do Senado em 2027. Uma eventual vitória de Lula pode facilitar a formação de uma base governista favorável à sua recondução. Em um cenário de vitória de Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho (PL-RN) tende a ganhar força na disputa.
Governo tenta evitar desgaste com a taxa das blusinhas
Outro ponto central do acordo é a medida provisória que prevê a isenção de impostos federais para compras internacionais de até US$ 50.
O texto precisa ser aprovado até 8 de setembro. Caso contrário, perderá a validade e a cobrança do imposto voltará a vigorar justamente poucas semanas antes do primeiro turno.
A questão ganhou peso político para o governo porque a tributação de compras internacionais se tornou um dos pontos de maior desgaste da gestão Lula junto à população. Agora, o Planalto tenta garantir que a MP avance durante o esforço concentrado.
Alcolumbre afirmou que o texto não irá caducar. Para isso, a proposta ainda precisa passar pela comissão mista e pelos plenários da Câmara e do Senado antes de chegar à sanção presidencial.
Além da MP, também devem avançar na próxima semana os projetos sobre minerais críticos e instalação de data centers, outras prioridades do governo no Congresso.
O encontro no Alvorada, portanto, representa mais do que uma negociação legislativa: Lula tenta garantir apoio para pautas que podem ser utilizadas eleitoralmente enquanto busca recompor uma relação que havia se deteriorado com o comando do Senado.
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