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Mauro Vieira vai à China após tensão com EUA e busca solução para impacto no agronegócio

Mauro Vieira vai à China após tensão com EUA e busca solução para impacto no agronegócio

Chanceler de Lula tenta garantir fornecimento de fertilizantes diante dos efeitos da crise no Oriente Médio e da restrição chinesa às exportações do insumo

Por: Redação

01/06/2026 às 17:14

Imagem de Mauro Vieira vai à China após tensão com EUA e busca solução para impacto no agronegócio

Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

Dias após o governo do presidente Donald Trump classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas — medida criticada pelo Palácio do Planalto — o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, desembarcou na China em busca de alternativas para reduzir impactos econômicos sobre o agronegócio brasileiro.

O chanceler chegou a Pequim no domingo (31) e participa, nesta segunda-feira (1º), de reunião com o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi. Entre os principais temas da agenda está a tentativa de ampliar ou restabelecer o fornecimento de fertilizantes ao Brasil, diante das dificuldades provocadas pela escalada do conflito envolvendo Estados Unidos e Irã.

Segundo interlocutores do Itamaraty, a preocupação do governo brasileiro é minimizar efeitos sobre a produção agrícola após o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, rota considerada estratégica para o comércio global de insumos e energia. O cenário elevou incertezas sobre logística e abastecimento internacional de fertilizantes, considerados essenciais para o setor agrícola.

A China figura entre os principais fornecedores do produto ao Brasil. No entanto, de acordo com informações citadas pela reportagem, o país asiático passou a restringir exportações do insumo desde março, movimento associado ao agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e à necessidade de priorização do mercado interno.

Nos bastidores do Itamaraty, diplomatas afirmam que Mauro Vieira vem intensificando contatos com parceiros comerciais do Brasil para evitar riscos de escassez e alta de custos ao agronegócio nacional, setor que depende fortemente da importação de fertilizantes para manter níveis de produtividade.

Na semana passada, o chanceler reuniu-se com representantes do setor produtivo na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), onde ouviu relatos de preocupação sobre possíveis efeitos econômicos do conflito internacional no abastecimento agrícola brasileiro.

Além da agenda na China, Mauro Vieira também buscou novos fornecedores em viagens recentes ao Cazaquistão e ao Uzbequistão, países produtores e exportadores de fertilizantes. Segundo interlocutores diplomáticos, a estratégia do governo é diversificar fornecedores e reduzir a dependência de mercados sujeitos a instabilidade geopolítica.

A viagem do chanceler ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington após o governo Trump enquadrar PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras, decisão vista com reservas por integrantes do governo Lula e que provocou debates sobre possíveis impactos econômicos, financeiros e diplomáticos para o Brasil.

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