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Médicos relatam atraso em pagamentos por atendimento a Bolsonaro na Papudinha
Médicos relatam atraso em pagamentos por atendimento a Bolsonaro na Papudinha
Profissionais afirmam que plantões realizados por determinação judicial seguem sem remuneração desde fevereiro
Por: Redação
16/06/2026 às 07:51

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Pelo menos três médicos da rede pública do Distrito Federal afirmam que ainda não receberam pelos plantões realizados durante o período em que prestaram assistência ao ex-presidente Jair Bolsonaro no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (19º BPM), conhecido como Papudinha.
Os profissionais foram convocados para atuar em escalas extras entre janeiro e março deste ano, após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabeleceu atendimento médico permanente ao ex-presidente durante sua custódia na unidade.
Segundo os relatos, os plantões ocorreram por meio do programa Trabalho por Período Definido (TPD), modalidade utilizada pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) para remunerar servidores que assumem jornadas adicionais além da carga horária regular.
Um dos médicos ouvidos pela reportagem afirmou ter realizado oito plantões, incluindo turnos noturnos e fins de semana, acumulando cerca de R$ 15 mil a receber. De acordo com os profissionais, o primeiro pagamento deveria ter sido efetuado em fevereiro.
Os servidores relatam que a operação montada para atender Bolsonaro possuía características excepcionais. Como os atendimentos ocorriam dentro da unidade militar, o controle de presença era realizado por meio de registros manuais, e não pelos sistemas eletrônicos normalmente utilizados pela Secretaria de Saúde.
Segundo os médicos, após identificarem a ausência dos pagamentos nos contracheques, receberam orientação para protocolar a documentação referente aos plantões no Sistema Eletrônico de Informações (SEI). Mesmo após cumprirem as exigências administrativas, afirmam que os valores continuam pendentes.
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal foi procurada para comentar as reclamações, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem.
Os profissionais também contestam a justificativa apresentada posteriormente pela administração, segundo a qual o procedimento adotado para registrar os plantões teria ocorrido de forma inadequada. Na avaliação dos servidores, eventuais falhas burocráticas não podem ser atribuídas aos médicos que atenderam à convocação feita pelo próprio governo.
Durante os 57 dias em que Bolsonaro permaneceu na Papudinha, a equipe médica realizou acompanhamento contínuo. Segundo os relatos, os profissionais monitoravam o ex-presidente diversas vezes ao dia e também durante a noite. O trabalho incluiu acompanhamento preventivo em deslocamentos e avaliações periódicas de saúde.
Os plantões foram encerrados em 26 de março, quando Alexandre de Moraes autorizou a transferência de Bolsonaro para prisão domiciliar. Desde então, os profissionais aguardam a regularização dos pagamentos e avaliam recorrer à Justiça caso os valores não sejam quitados nos próximos dias.
O caso levanta questionamentos sobre a gestão administrativa de uma estrutura montada por determinação judicial e sobre o cumprimento das obrigações financeiras assumidas com servidores convocados para atuar em regime extraordinário.
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