PF aponta suspeita de repasse de R$ 350 mil em espécie a Ciro Nogueira
Investigação cita mensagens entre Daniel Vorcaro e operador financeiro sobre entrega de dinheiro ao senador
Por: Redação
16/06/2026 às 14:46

Foto: Reprodução/PF
Relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) aponta suspeitas de que o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, tenha realizado repasses em dinheiro vivo ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). Segundo a investigação, uma das transferências teria alcançado R$ 350 mil e sido realizada por meio da entrega de valores em espécie.
O documento, que teve o sigilo retirado por decisão do ministro André Mendonça, reúne mensagens atribuídas a Vorcaro e ao empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro e apontado pelos investigadores como operador financeiro do grupo.
De acordo com a Polícia Federal, as conversas reforçam a linha de investigação que apura possíveis pagamentos indevidos destinados ao parlamentar.
“A análise trazida reforça os indícios de pagamento de vantagens indevidas, por Daniel Vorcaro, ao senador Ciro Nogueira”, registra o relatório.
Em um dos diálogos reproduzidos pela PF, os interlocutores discutem pagamentos relacionados a diferentes compromissos financeiros. Entre as anotações mencionadas na conversa aparece a referência a “Espécie Ciro 350k”, interpretação que levou os investigadores a suspeitar da existência de um repasse em dinheiro ao senador.
Segundo a corporação, a conversa ocorreu entre Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel, que já havia sido citado em outras fases da investigação como responsável por movimentações financeiras ligadas ao grupo investigado.
A Polícia Federal afirma que a hipótese criminal se baseia não apenas no conteúdo das mensagens, mas também em outros elementos reunidos ao longo da apuração. Os investigadores sustentam que a relação entre Vorcaro e Ciro Nogueira apresenta indícios que vão além de uma simples amizade ou convivência política.
Em outro relatório divulgado nesta semana, a PF já havia apontado que viagens internacionais, hospedagens em hotéis de luxo, refeições em restaurantes de alto padrão e outras despesas pessoais do senador teriam sido custeadas pelo empresário.
As investigações buscam esclarecer se os benefícios recebidos tinham relação com interesses defendidos pelo Banco Master junto a agentes públicos e no Congresso Nacional.
Até o momento, não há condenação judicial sobre os fatos apontados pela Polícia Federal. O material integra uma investigação em andamento, que seguirá sob análise do Supremo Tribunal Federal e dos órgãos responsáveis pela persecução penal. Os citados têm direito à ampla defesa e ao contraditório.
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