Mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF) durante uma investigação envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, mostram uma conversa na qual o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva orienta a lobista Roberta Luchsinger a emitir uma nota fiscal para o empresário Cleber Ribas, dono da 3Structure It Ltda.
O diálogo ocorreu em julho de 2023 e foi divulgado pela coluna de Tácio Lorran, do Metrópoles. Ribas também é investigado pela PF e sua empresa acumulou R$ 85,7 milhões em contratos com o governo federal.
Conversa menciona emissão de nota
Segundo o material obtido pela PF, em 24 de julho de 2023, Roberta relatou a Lulinha que havia acionado integrantes dos governos federal e estadual. Na sequência, ele pediu que ela emitisse a nota fiscal destinada a Cleber Ribas.
A lobista respondeu que o documento já havia sido emitido. As mensagens fazem parte do conjunto de informações analisado pelos investigadores para apurar os contatos de Lulinha com empresários e possíveis interlocuções junto a órgãos públicos.
A 3Structure It teria pago pelo menos R$ 150 mil à empresa de Roberta, a RL Consultoria, por serviços descritos como prospecção de clientes e identificação de oportunidades de negócios na área de tecnologia.
Empresa recebeu R$ 85,7 milhões do governo
Criada em 2019 e sediada em Florianópolis, a 3Structure It celebrou seis contratos com o governo federal, totalizando R$ 85,7 milhões. Pelo menos cinco foram firmados por meio de processos licitatórios.
O maior contrato foi fechado em 2023 com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, para o fornecimento de uma solução voltada à sustentação do ambiente analítico de dados da pasta. O valor acumulado ultrapassou R$ 42 milhões.
A empresa também firmou contrato com a Telebras. Segundo as mensagens analisadas pela PF, Roberta mantinha contato com integrantes da estatal.
Empresário teria buscado reunião com Lulinha
O relatório policial registra ainda que, em 31 de maio de 2023, Cleber Ribas pediu a Roberta uma reunião com Lulinha. Dias depois, o empresário informou que Rodrigo Assumpção havia assumido a presidência da Dataprev.
As investigações sobre Lulinha foram autorizadas pelos ministros André Mendonça e Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito analisa, entre outros pontos, os contatos mantidos pelo filho do presidente com empresários e sua eventual atuação junto a órgãos públicos.
Investigação também alcança relações com integrantes do governo
As mensagens apreendidas indicam ainda contatos de Lulinha e Roberta com integrantes do governo Lula. Entre os nomes citados estão Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula, e Swedenberger Barbosa, que ocupava a Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde.
O caso também se conecta às investigações sobre Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado pela PF como lobista investigado no esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas. Segundo a apuração, Antunes teria repassado R$ 1,5 milhão a Roberta Luchsinger.
Defesas contestam divulgação das mensagens
A defesa de Lulinha afirmou que não comentará ou validará fragmentos de informações sigilosas que, segundo os advogados, foram divulgados fora do contexto original e sem verificação de origem e integridade.
Os advogados de Cleber Ribas também afirmaram não ter acesso integral às mensagens. Segundo eles, a relação entre o empresário e Lulinha é pessoal e decorrente de amizade, sem vínculo profissional ou comercial.
A defesa de Ribas sustentou ainda que os contratos da 3Structure It com o governo federal foram firmados de acordo com os procedimentos legais e sem favorecimento. Já o advogado de Roberta informou que não comentaria o caso devido ao sigilo do inquérito.