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Mesmo após derrota no Congresso, governo Lula insiste em judicializar aumento do IOF
Mesmo após derrota no Congresso, governo Lula insiste em judicializar aumento do IOF
Secretário do Ministério da Fazenda admite impacto arrecadatório, contradiz discurso oficial e aposta em vitória no STF
Por: Redação
04/07/2025 às 21:52

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
Mesmo após sofrer sua pior derrota na Câmara dos Deputados desde o início do mandato, o governo Lula insiste em manter a elevação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) por vias judiciais. O recado foi dado nesta sexta-feira (4) pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, braço direito de Fernando Haddad, ao afirmar que o Planalto tem condições de “vencer o ônus argumentativo” no STF.
Durigan reconheceu, ainda que com rodeios, o caráter arrecadatório da medida: “Muito embora tenha uma consequência arrecadatória.” A fala contradiz a narrativa anterior da equipe econômica, que sempre tratou o aumento como um ajuste técnico e “extrafiscal”. Na prática, o governo estimava uma arrecadação extra de R$ 20 bilhões com o reajuste — montante fundamental para evitar um congelamento de gastos em 2025.
O impasse agora está nas mãos do Supremo Tribunal Federal. O ministro Alexandre de Moraes suspendeu tanto o decreto do Executivo que elevava o imposto quanto o ato do Congresso que o revogava. Marcou ainda uma audiência de conciliação entre os Poderes para 15 de julho, tentando mediar a crise que escancarou a fragilidade da articulação política do Planalto.
A derrota do governo foi acachapante: 383 deputados votaram pela revogação do aumento, em aliança que envolveu até partidos com ministérios no governo. No Senado, a rejeição foi simbólica, mas igualmente enfática. A movimentação liderada por Hugo Motta (Republicanos-PB) e referendada por Davi Alcolumbre (União-AP) foi um recado direto à cúpula do Executivo — e especialmente a Fernando Haddad.
A insistência em levar a disputa ao STF, ignorando o recado das urnas parlamentares, reforça a percepção de um governo que apela ao Judiciário sempre que enfrenta resistência política. No centro da controvérsia está uma medida que, apesar de rotulada como “justiça fiscal”, revela-se cada vez mais como um artifício de arrecadação diante do descontrole orçamentário.
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